- A queda do capital político de Flávio Bolsonaro não gerou, ainda, aumento equivalente de Lula, segundo a leitura da campanha petista.
- A AtlasIntel aponta que votos de Flávio migraram para Renan Santos ou para votos em branco/nulos; no segundo turno, o contingente sem candidato quase que dobra, de 4,7% para 9,3%.
- O antilulismo e o antipetismo continuam agindo como forças motrizes da campanha, enquanto a aprovação do governo não subiu nem a rejeição a Lula caiu.
- O ganho para Lula inclui fragilizar a dianteira da oposição e manter a janela de alianças abertas, com centrão avaliando apoios após a Copa do Mundo e as convenções em julho.
- No cenário atual, nenhuma candidatura de segundo pelotão ameaça de fato Flávio Bolsonaro; a maior dúvida é o que ainda pode surgir envolvendo Flávio e a relação com Vorcaro.
O cenário eleitoral mostra Flávio Bolsonaro perdendo parte do capital político junto aos eleitores simpáticos ao bolsonarismo, sem, no entanto, provocar aumento expressivo na popularidade de Lula. A leitura de aliados do PT é de cautela e demanda novas pesquisas para confirmação do recuo do filho do ex-presidente.
Segundo a AtlasIntel, votos que antes sustentavam Flávio migraram em parte para Renan Santos, que subiu de 5,3% para 6,9%. Parcela relevante de eleitores também se deslocou para votos em branco ou nulos. Em eventual segundo turno, esse grupo pode chegar a 9,3%.
O antipetismo e o antilulismo permanecem como fontes de mobilização na campanha, destacando o eixo de rejeição ao PT como ponto central. Esse movimento desafia tentativas de consolidação de alianças entre direita e centro, conforme avaliação de lideranças ouvidas pela reportagem.
Para Lula, o ganho político aparece em dois aspectos. Primeiro, retira da oposição, representada pelo bolsonarismo, a vantagem de associar o PT a casos de corrupção. Segundo, a incerteza sobre a composição futura dos palanques na linha de direita e centro pode atrasar acordos estratégicos.
Na prática, há expectativa de que a definição de apoios ocorra apenas após a Copa do Mundo, com as convenções partidárias de julho. Centrão, PP, União Brasil e Republicanos ainda aguardam sinalizações sobre alianças, liberando espaço para negociações estaduais.
Dentro do PL, cresce a preocupação com a futura coalizão, que poderia exigir maior tempo de TV ou transmitir a imagem de moderação. Sem o apoio de partidos do centro, a direita tende a se isolar politicamente, dificultando blocos amplos.
Por ora, não há candidato do segundo pelotão que represente uma ameaça imediata para Flávio Bolsonaro. A maior pressão pode vir, de modo decisivo, do próprio desempenho dele e de desdobramentos ainda não divulgados.
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