- Charles Flores, condenado à morte no Texas, tenta anular a sentença após 26 anos, alegando memória falsa de testemunha hipnotizada.
- O crime ocorreu em janeiro de 1998; a testemunha identificou inicialmente o motorista do carro, Richard Childs, cuja participação foi comprovada em acordo com pena de 35 anos.
- A testemunha de Barganier foi submetida a hipnose pela polícia, resultando em descrição incompatível com Flores e depoimento decisivo no julgamento.
- Normas sobre hipnose foram questionadas, e investigações apontaram falhas legais na gravação do procedimento; a hipnose passou a ser proibida no Texas por ser pouco confiável.
- Flores foi condenado com base na lei texana que responsabiliza cúmplices pelo mesmo crime, apesar de alegar álibi e de o caso não ter provas diretas; ele encaminhou petição à Suprema Corte dos Estados Unidos.
Charles Flores, condenado há 26 anos no corredor da morte no Texas, busca anular a sentença, alegando memória falsa provocada por hipnose forense durante a investigação. A defesa apresentou petição à Suprema Corte dos EUA como última tentativa de evitar a execução.
O crime ocorreu em janeiro de 1998, quando Elizabeth Black foi morta a tiros na residência da família. A investigação revelou que o casal escondia dinheiro ligado ao tráfico para o filho.
Testemunhas disseram ter visto dois homens saindo de um carro antes da entrada na casa. No dia seguinte, a vizinha Jill Barganier identificou Richard Childs como motorista. Ele confessou o crime e recebeu 35 anos, sendo libertado em 2016.
A controvérsia central envolve uma sessão de hipnose feita pela polícia para retratar o segundo suspeito, que não coincidiu com Flores. A vizinha afirmou normalmente que não reconheceu Flores durante duas sessões de reconhecimento.
Após a sessão, Barganier depôs afirmando ter 100% de certeza de que Flores era o passageiro. O júri considerou esse testemunho decisivo, mesmo sem provas físicas ligando Flores ao assassinato.
Flores sempre alegou estar em casa tomando café com a esposa no momento do crime, apresentando álibi. A acusação apontou também o carro utilizado no crime, que foi escondido e incendiado, seguido por uma fuga de Flores para o México.
Em 2016, uma suspensão temporária da execução ocorreu após estudos sugerirem que a hipnose pode criar memórias falsas. Pesquisas citadas pela defesa contestaram a confiabilidade da técnica.
Hipnose forense e implicações
Dúvidas sobre a confiabilidade cresceram após revelação do Dallas Morning News de 2020. A investigação indicou uso da hipnose em pelo menos 1.700 casos no Texas desde os anos 80.
A prática foi proibida por criar memórias potencialmente falsas, em meio a críticas de especialistas. A mudança não retroagiu, mantendo a condenação de Flores válida até o momento.
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