- A investigação Vérnix considera que Deolane Bezerra atuava como “caixa do crime organizado”, recebendo recursos em contas próprias e empresariais, mesclando com dinheiro lícito e devolvendo ao PCC; houve bloqueio de R$ 27 milhões.
- A polícia aponta uma transportadora de valores no interior de São Paulo, usada como empresa de fachada para movimentar dinheiro do PCC; duas contas estariam em nome de Deolane.
- A principal ligação entre Deolane e Marcola seria Paloma Sanches Camacho, sobrinha do líder da facção, que mora em Madri; a investigação cita ainda vínculos com gestores fantasmas da transportadora.
- A prisão preventiva foi decretada pela Justiça por risco de fuga, especialmente após a influenciadora retornar ao Brasil na véspera da operação; familiares de Marcola já teriam deixado o país.
- O relatório policial classifica Deolane como integrante do PCC e aponta que ela ocuparia posição central na estrutura financeira da organização, mesmo sem batismo formal na facção.
A investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao PCC levou à prisão de Deolane Bezerra, influenciadora e advogada, em São Paulo. A operação, realizada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, é chamada Vérnix e mira a atuação financeira da facção ao longo de sete anos. Deolane é suspeita de atuar como uma peça central do esquema.
Segundo a força-tarefa, a transportadora de valores do interior de São Paulo foi usada como empresa de fachada para movimentar recursos do PCC. Parte do dinheiro teria passado por contas de terceiros, com depósitos fracionados em espécie, para ocultar a origem criminosa. Duas contas teriam relação direta com Deolane.
A prisão foi decretada por risco de fuga, já que a influenciadora havia retornado ao Brasil pouco antes da operação, após temporada na Europa. A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente 27 milhões de reais. Integrantes próximos ao líder da facção também são alvos, como familiares e operadores financeiros.
Contexto da investigação
A apuração começou em 2019, após bilhetes apreendidos em presídio no interior de São Paulo indicarem ordens internas do PCC. A partir dessas evidências, foram abertos inquéritos que mapearam a estrutura financeira da organização e apontaram a transportadora como elemento central do esquema.
A Polícia Civil afirma que a rede realizava repasses para ocultar a origem do dinheiro da facção. Investigadores destacam que parte dos valores circulava entre pessoas físicas e jurídicas, em etapas de dissimulação, para devolver recursos ao crime organizado.
Vínculos entre Deolane e Marcola
A principal ligação apontada pela polícia envolve Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, que mora em Madri. Deolane manteria vínculos pessoais e comerciais com um dos gestores fantasmas da transportadora. Não houve identificação de prestação de serviços compatíveis com os valores recebidos pela influenciadora.
A operação também envolve Everton de Souza, conhecido como Player, apontado como operador financeiro; Alejandro Camacho, irmão de Marcola; e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho do líder do PCC.
Situação de Deolane e desdobramentos
Além do caso atual, a defesa afirma que Deolane está buscando esclarecer os fatos e insiste na inocência. A influenciadora já havia sido alvo de investigação anterior, ligada a aportes de recursos em apostas online, em Pernambuco.
O relatório policial classifica Deolane como integrante do PCC e aponta papel central na estrutura financeira do grupo, sem atribuir a ela, porém, batismo formal na facção. A difusão de detalhes aponta que o dinheiro pode ter sido utilizado para cobertura de atividades ilícitas.
Quem é Deolane Bezerra
Bezerra ficou conhecida após a morte do marido, MC Kevin, em 2021, e ampliou sua presença na mídia, redes sociais e negócios digitais. A soma de seguidores ultrapassa 21 milhões, com conteúdo que destaca estilo de vida luxuoso. O filho adotivo da influencer, conhecido como Chefinho, também passou por buscas na operação.
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