- Um tribunal turco destituiu Ozgur Ozel, principal líder da oposição, ao anular o congresso de 2023 que o elegeu presidente do partido.
- A decisão determina que Kemal Kilicdaroglu substitua Ozel no comando do Partido Republicano do Povo (CHP).
- O veredito é visto como golpe para os adversários de Recep Tayyip Erdogan e pode gerar mais desorganização na oposição.
- O principal índice da bolsa de Istambul, o BIST 100, caiu cerca de seis por cento, acionando a paralisação automática das negociações, com títulos públicos em baixa.
- O CHP afirma ter sido alvo de repressão judicial desde 2024, e contesta a legitimidade da decisão, classificando-a como golpe contra a vontade popular.
Um tribunal turco destituiu nesta quinta-feira o líder da oposição Ozgur Ozel, anulando o congresso partidário de 2023 que o elegeu presidente do Partido Republicano do Povo (CHP). A decisão representa um golpe para adversários de Recep Tayyip Erdogan e abalou os mercados locais.
A decisão coloca Kemal Kilicdaroglu, ex-presidente do CHP, no papel de substituto de Ozel. Kilicdaroglu é uma figura polêmica na legenda e perdeu para Erdogan nas eleições de 2023.
O caso é visto como teste do equilíbrio entre democracia e autoritarismo na Turquia, com possibilidade de novas disputas internas na oposição e de fortalecimento de Erdogan, que comanda a Turquia há mais de duas décadas.
Reação política e interna do CHP
O CHP afirma que a decisão alvo irregularidades no congresso de 2023 e contesta a substituição de Ozel. Líderes partidários foram convocados à sede em Ancara para discutir medidas possíveis.
Ali Mahir Basarir, vice-líder da bancada, disse à Reuters que a decisão é um golpe do Judiciário contra a vontade de 86 milhões de turcos. O CHP promete responsabilizar os aprovadores da medida.
Impactos no mercado e na governança
O principal índice da Borsa de Istambul, o BIST 100, caiu 6% após a divulgação da decisão, com interrupção automática de negociações. Títulos públicos recuaram, atingindo queda de até 1,2 centavos de dólar.
O abalo reforça observação de que a Turquia vive turbulência institucional e riscos para a governança democrática, conforme analistas locais. O mercado reage a mudanças de poder e às tensões entre Judiciário e liderança partidária.
Contexto judiciário e cenário eleitoral
A decisão do tribunal de Ancara reverteu sentença anterior de 2022, que tinha considerado sem fundamento o caso envolvendo o congresso de 2023. Mesmo assim, o CHP continua sob pressão judicial e político.
O presidente Erdogan permanece alvo de ceticismo e críticas dentro da Turquia, em meio a detenções de afiliados do CHP por acusações de corrupção, alegadamente rejeitadas pelo partido.
Perspectiva para as próximas semanas
Com a mudança, o CHP pode enfrentar desorganização interna e disputas de liderança. A eleição presidencial prevista para 2028, ou possivelmente adiantada, permanece incerta até novas decisões judiciais e políticas.
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