- O ministro Flávio Dino, do STF, recebeu o Título de Notório Saber da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) nesta sexta-feira, 22 de maio.
- Em discurso, ele afirmou que o STF não é inimigo da nação e defendeu a legitimidade da Corte.
- Dino comentou que a atuação do STF é resultado de escolha do Congresso no pós‑ditadura e de uma Constituição analítica que protege minorias.
- Ele alertou sobre o fortalecimento do “bloco da ilegalidade” no Brasil, citando a relação entre facções criminosas, o mercado de capitais e a lavagem de dinheiro, além de irregularidades em emendas parlamentares.
- O ministro também criticou o ativismo judicial e ressaltou que o ato de julgar envolve interpretação, defendendo regulação estatal da ciência e da tecnologia para evitar impactos negativos.
O ministro do STF Flávio Dino recebeu o Título de Notório Saber na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) na sexta-feira, 22 de maio. Em seu discurso, ele defendeu a legitimidade da jurisdição constitucional e afirmou que o STF não representa inimigo da nação, segundo a leitura de sua homenagem. O objetivo foi justificar a atuação da Corte como reflexo de escolhas institucionais do Brasil pós- ditadura e de uma Constituição analítica.
Dino destacou que a Corte ampliou competências com base em decisões do Congresso Nacional e em valores constitucionais que protegem minorias. Ele apontou avanços tecnológicos como o maior desafio ao iluminismo e ao constitucionalismo atual, citando riscos de IA e hologramas que podem transformar a imortalidade em mercadoria.
O ministro ressaltou que a regulação estatal deve acompanhar a inovação sem frear direitos humanos, apoiando a ideia de equilíbrio entre tecnologia e valores sociais. Em tom crítico a acusações de ativismo judicial, ele relembrou a gestão de políticas públicas durante a pandemia, especialmente enfrentando situações de população sem moradia.
Contexto do prêmio e defesa da Corte
Ao tratar do funcionamento do STF, Dino explicou que a Carta de 1988 inverteu a lógica de cartas anteriores ao colocar direitos fundamentais no topo da atuação estatal, criando um eixo axiológico para o poder. Ele destacou a necessidade de proteger minorias e manter o pacto federativo em meio a tensões políticas.
O ministro também abordou riscos de criminalidade associada a fluxos financeiros, citando a suposta relação entre facções armadas e o mercado de capitais. Segundo ele, há necessidade de coibir a lavagem de dinheiro e a venda de decisões judiciais, bem como de desvios em emendas parlamentares, para fortalecer a integridade do sistema.
Ao relembrar sua trajetória, Dino mencionou a entrada no Parlamento em 2007 e afirmou que tentativas de reformar o texto constitucional seriam inviáveis sem assegurar direitos, o que teria levado a uma Carta analítica que centraliza demandas nacionais. O discurso integrou ainda referências pessoais e humor leves sobre a prática jurídica.
Desdobramentos e perspectivas
O discurso ressaltou que a atuação judicial não pode se afastar da proteção social consolidada pela jurisprudência. Autoridades e estudantes presentes acompanharam o debate sobre limites da atuação do STF, fiscalização de abusos e estabilidade institucional.
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