- Em 2025, Karina Ferreira da Gama, dona da Go Up (produtora do filme Dark Horse), pediu à Prefeitura de São Paulo a concessão de uso de uma casa na periferia, por meio de programa voltado para famílias de baixa renda; o pedido foi indeferido após avaliação técnica.
- Karina preside o Instituto Conhecer Brasil, que em 2024 firmou contrato de R$ 108 milhões com a prefeitura para fornecer internet wi‑fi em comunidades de baixa renda; o acordo está sob investigação do Ministério Público de São Paulo.
- De 2024 a 2025, deputados do Partido Liberal direcionaram mais de R$ 4,5 milhões em emendas para o Instituto Conhecer Brasil e para a ANC, entidade da qual Karina é presidente.
- A Secretaria Municipal de Habitação informou que o pedido de concessão de uso foi negado porque não atendia aos requisitos legais após análise técnica e documental; a prefeitura afirma que o chamamento público foi transparente e o serviço está em andamento com pontos de wi‑fi implantados e mais previstos para 2026.
- Segundo reportagem, Karina informou morar em um terreno na Brasilândia, onde havia quatro casas ocupadas pela família; em 2025, ela tentou transferir a concessão de uso especial para seu nome, enquanto o terreno é alvo de debate sobre condições de habitabilidade e regularização.
Karina Ferreira da Gama, empresária e presidente do Instituto Conhecer Brasil, pediu à Prefeitura de São Paulo a concessão de uso de uma casa na periferia da cidade, por meio de um programa municipal voltado para famílias de baixa renda. O requerimento foi assinado em 2025, segundo apurações da Folha.
A dona da Go Up, produtora do filme Dark Horse, que aborda a biografia de Jair Bolsonaro, atua em empresas e ONGs com recebimentos públicos de grande valor nos últimos anos. Em 2024, o Instituto Conhecer Brasil firmou contrato de 108 milhões com a prefeitura para fornecer internet wifi em comunidades de baixa renda, ainda sob investigação do Ministério Público.
Paralelamente, deputados do PL destinaram mais de 4,5 milhões em emendas para o Instituto Conhecer Brasil e para a ANC, organização ligada a Karina, entre 2024 e 2025. A prefeitura afirmou que o contrato com o instituto foi conduzido por meio de chamamento público e que a prestação de serviço está em andamento.
A Secretaria Municipal de Habitação informou que o pedido de concessão foi indeferido após análise técnica e documental, pois a requerente não atendia aos requisitos legais. A decisão ocorreu em abril de 2024, após vistoria que apontou condições inadequadas de habitabilidade no imóvel.
Em janeiro de 2025, Karina apresentou novo requerimento para transferir a concessão de uso especial de um lote na Brasilândia, área com baixa qualidade de vida segundo o Mapa da Desigualdade de 2024. Segundo a empresária, o terreno abriga quatro casas ocupadas pela família, com ela morando no local.
A Folha esteve no terreno na noite de 21 de maio, e vizinhos, incluindo parentes, confirmaram que Karina continua morando ali com os pais, sem confirmação sobre sua atuação profissional atual. Karina é graduada em jornalismo, segundo perfis públicos.
O programa de regularização fundiária, criado em 2008, prevê que o beneficiário assine termo declarando não possuir outro imóvel e enquadramento econômico compatível com baixa renda. Em 2025, a prefeitura já havia rejeitado o pedido por não cumprir requisitos.
Em nota, a gestão de Ricardo Nunes informou que o Instituto Conhecer Brasil foi escolhido por chamamento público transparente e que a empresa cumpre as exigências do edital. A atuação envolve cerca de 3.200 pontos de wifi já implantados, com 1.800 previstos para 2026.
O caso envolve ainda uma investigação do Ministério Público sobre possível direcionamento no chamamento público e repasses adiantados para serviços ainda não implantados. O Instituto aparece no radar de denúncias recebidas pela promotoria.
Entre as relações ligadas a Karina, o deputado Mario Frias, do PL, destinou 2 milhões de emenda ao Instituto Conhecer Brasil em 2025 para projetos de letramento digital e esporte. Frias já enfrentou curiosidade de instâncias judiciais sobre destinação de recursos.
O filme Dark Horse tem forte vínculo com o debate político, envolvendo também o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cuja relação com repasses de verba tem sido objeto de reportagens e áudios divulgados recentemente.
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