- Lula afirmou temer que Trump possa agir na Amazônia e na chamada Margem Equatorial, na foz do Rio Amazonas, em evento no Espírito Santo, dizendo que “qualquer um” pode invadir o Brasil.
- O presidente afirmou que, depois de Trump dizer que Groenlândia, Canadá e Canal do Panamá são dele, não vê por que a Amazônia não poderia ser dele; afirmou que o país está desguarnecido nas fronteiras.
- O temor ocorre em meio à possibilidade de os Estados Unidos classificarem o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, o que poderia abrir margem jurídica para ações no território brasileiro.
- Lula disse que o tema não foi tratado no encontro recente com Trump, mas o governo acompanha com cautela o possível impacto diplomático e estratégico.
- O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, apresentou plano de investimentos de 800 bilhões de reais em 15 anos para ampliar as Forças Armadas, com foco na Marinha e na Aeronáutica, e defendendo aumento do gasto público em defesa.
Pouco antes de terminar esta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou temer uma investida de Donald Trump sobre a Amazônia e, em outro momento, sobre a chamada Margem Equatorial, na foz do Rio Amazonas. O comentário ocorreu durante evento no Espírito Santo.
Lula disse que o Brasil fica “desguarnecido” nas fronteiras e que, segundo ele, “qualquer um” pode invadir o território nacional nos dias atuais. A comparação foi usada para questionar declarações de líderes estrangeiros sobre territórios. O tom foi de alerta em relação à soberania brasileira.
A fala coincide com discussões sobre a possibilidade de os EUA classificarem o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. No Planalto, a avaliação é de que a medida poderia abrir margem jurídica para ações diretas no território brasileiro, segundo fontes oficiais.
Contexto diplomático e manejo de relações
Lula afirmou que o tema não foi tratado em seu encontro com Trump no início deste mês, mas o governo acompanha com cautela o impacto diplomático de eventuais mudanças. As autoridades brasileiras ponderam os efeitos de uma decisão americana sobre cooperação e segurança regional.
O tema também dialoga com pressão de defesa por mais recursos. O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, mostrou a Lula, em março, um plano de investimentos de 800 bilhões de reais em 15 anos para ampliar a capacidade militar. A ideia é fortalecer a defesa brasileira.
Investimentos e prioridades
Segundo Múcio, o Brasil investe hoje cerca de 1,1% do PIB em defesa, abaixo da média internacional de 2%. O ministro ressaltou que o orçamento atual tem sido tratado como recurso residual, prejudicando projetos estratégicos.
No plano apresentado, os maiores recursos seriam destinados à Marinha e à Aeronáutica, pela necessidade de submarinos e aeronaves. O Exército aparece em seguida como foco de investimentos dentro da proposta.
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