- Barroso afirma que o STF julga muitos casos e, por isso, tende a desagradar diversos grupos da sociedade, tornando-se alvo político.
- Defende a discussão sobre um código de conduta para ministros, mas diz que reformas devem partir do próprio tribunal e que ainda não houve consenso entre os ministros.
- Sobre o Banco Master, ele não comenta investigações em curso e reforça que não faz pré-julgamentos antes de conclusões das apurações.
- Aposentou-se em outubro de 2025 e destaca legado como criação do Exame Nacional de Magistratura, implementação de paridade de gênero na magistratura e ações para ampliar a participação de afrodescendentes no Judiciário.
- Enxerga a inteligência artificial como futuro do Judiciário, citando projetos como MarIA para resumo de processos e uso de IA na elaboração de minutas, sempre com supervisão humana e foco em ética.
Barroso, ex-ministro do STF, afirma que o tribunal costuma desagradar setores da sociedade por julgar muitas matérias. Em entrevista à BBC News Brasil, ele comentou controvérsias envolvendo o STF, a ideia de um código de conduta para ministros e o papel da inteligência artificial na Justiça.
Segundo Barroso, o STF atua com alto protagonismo institucional, julga quase tudo e, por isso, se torna alvo da política. Ele ressaltou que decisões impactam comunidades indígenas, o agronegócio, igrejas, movimentos feministas, governos e contribuintes.
Na passagem pela presidência do STF, até 2025, Barroso disse ter evitado “bolas divididas” ao priorizar temas com apoio. Para ele, reformas internas devem nascer de dentro do tribunal, que costuma resistir a interferências externas.
O código de ética e o protagonismo do STF
Ao discutir a criação de um código de conduta, Barroso afirmou achar o tema relevante, mas sem consenso entre os ministros. Ele lembrou ações institucionais adotadas durante sua gestão, como medidas para ampliar a institucionalidade e reduzir o protagonismo individual.
O ex-ministro também apontou que o STF pode reduzir o protagonismo com o tempo, desde que haja foco em decisões coletivas. Ele citou melhorias já ocorridas na prática interna e a transmissão de julgamentos pela TV Justiça como movimentos positivos para a transparência.
Sobre o cenário político e a nomeação de ministros
Barroso comentou que o atual momento político brasileiro é marcadamente polarizado, mas não chega a configurar risco iminente à democracia. Em relação à nomeação de ministros, ele destacou que o STF funciona com base em escolhas presidenciais e que mudanças no perfil da corte devem seguir a institucionalidade.
Ele lembrou que, em administrações anteriores, a presidente Dilma Rousseff indicou quatro ministros ao STF, o que elevou o escrutínio público. Aponte que a composição da corte tende a refletir novos padrões de indicação e maior pressão social.
Inteligência artificial no Judiciário
Sobre o uso de IA, Barroso afirmou que o Judiciário já investe fortemente em tecnologia; o Brasil hoje é 100% digital. Ele citou projetos como um sistema de resumo de processos e ferramentas para gerar minutas de decisões, citando supervisão humana como etapa necessária.
Barroso ressaltou que a IA pode ampliar a qualidade e a celeridade das decisões, especialmente em órgãos como o INSS. Em sua visão, o futuro da Justiça passa pela IA, desde que se mantenham parâmetros éticos e supervisão humana.
Considerações finais sobre legado e perspectiva
Em síntese, Barroso defende avanços internos do Judiciário, maior paridade de gênero e inclusão de afrodescendentes na magistratura, mantendo o STF como espaço de debate, dentro de uma normalidade democrática. Ele destacou o papel da Justiça como instituição essencial ao país.
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