Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Porte de armas para veterinários avança no Congresso sem base de dados

Porte de armas para veterinários avança no Congresso sem dados sobre violência, gerando críticas sobre consulta e embasamento técnico

O deputado federal Junio Amaral (PL-MG), relator do projeto que amplia o porte de armas
0:00
Carregando...
0:00
  • O Congresso aprovou o Projeto de Lei 5.976/2025, que amplia o porte de armas para médicos veterinários, em sessão da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, em 12 de maio.
  • O texto concede porte a veterinários registrados no Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) e não faz distinção entre profissionais que atuam em clínica, fazenda ou estrada.
  • O CFMV informou que não foi consultado durante a tramitação e não possui levantamento específico sobre violência contra a categoria.
  • A Comissão Pastoral da Terra (CPT) contesta o uso de dados citados no projeto e disse que não foi consultada sobre o relatório mencionado.
  • O projeto segue para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), enquanto analistas ressaltam a falta de dados que sustentem a necessidade do porte para a categoria.

O projeto que amplia o porte de armas aos veterinários avança no Congresso sem embasamento de dados sobre violência contra a categoria. O PL 5.976/2025, de Marcos Pollon (PL-MS), foi aprovado na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara no dia 12 de maio. O texto tramita agora pela CCJC.

O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) afirma não ter sido consultado e não possui levantamento específico sobre violência contra profissionais da área. Cerca de 240 mil veterinários estão registrados no conselho, com atuação em clínicas urbanas, frigoríficos e fazendas. O projeto não faz distinção entre veterinários de diferentes frentes.

Contexto e críticas à base de dados

Relator do PL, o deputado Junio Amaral (PL-MG) defende o porte com base no direito à autodefesa e no fim do Estatuto do Desarmamento, ressaltando que a análise de legalidade ficará a cargo da CCJC. Especialistas e entidades, porém, apontam a ausência de estatísticas que validem o risco específico para a categoria.

Roberto Uchôa, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, sustenta que não há evidências de crise que justifiquem ampliar o porte para veterinários. Ele afirma que a solução passa por patrulhas rurais e fiscalização policial, não pelo armamento individual.

Depoimentos e casos práticos

Casos de violência contra profissionais da área são citados por defensores do projeto, como justificativa para ampliar o porte. Um veterinário militar, que atua no Entorno do DF, cita situações em que o profissional precisa abrir porteiras em locais isolados, temendo abordagens perigosas durante atendimentos.

O próprio veterinário ressalta que, mesmo com porte, a prática de manter arma depende da atuação profissional e do contexto, o que mostra a heterogeneidade entre atuação clínica e uso em campo. A narrativa de risco, segundo críticos, não se traduz em base empírica para legislação federal.

Aspectos legais e percepções institucionais

O CPT (Pastoral da Terra) contestou a inclusão de dados de seus relatórios na justificativa do PL, afirmando que não foi consultado e que seus trabalhos visam reduzir violência no campo, não armamento individual. A CPT publicou nota de repúdio, destacando que políticas públicas precisam de medidas de proteção coletiva.

A tramitação segue para a CCJC, onde a avaliação técnica e normativa deverá ocorrer. A discussão envolve, além de veterinários, outros grupos com propostas similares de porte sob o rótulo de “atividade de risco”.

Panorama de armas e políticas públicas

Dados do 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam que o país tem mais de 2 milhões de armas registradas no Sinarm, com crescimento substancial desde 2017. A Polícia Federal expandiu o escrutínio sobre arsenais, mas não divulga portes por categoria profissional.

A expectativa é que novas avaliações técnicas e jurídicas da CCJC definam se o porte para veterinários terá critérios mais específicos. Enquanto isso, o debate permanece técnico, sem consenso sobre a necessidade de armar profissionais que atuam fora de áreas urbanas.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais