- A Polícia Federal realiza 31 mandados de busca e apreensão na fase da Operação Sem Desconto, que investiga descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS.
- Até a tarde, foram apreendidos 22 celulares, 10 veículos (incluindo modelos de alto padrão) e R$ 287 mil em espécie, parte em uma mala com sacos pretos.
- As investigações apontam que entidades de classe firmavam acordos com o INSS para descontar mensalidades associativas da folha de pagamento sem autorização dos beneficiários, com prejuízo potencial de até R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024; há indícios de gravações falsas e assinaturas digitais indevidas.
- Os mecanismos de controle do INSS também são alvos de apuração, e mudanças na legislação favoreceram o crescimento dos descontos a partir de 2019, com o fim da revalidação periódica da autorização.
- Um lobista apontado como central no esquema, Antônio Carlos Camilo Antunes (Careca do INSS), teria recebido milhões de entidades e intermediação com servidores; a Ambec é citada entre as entidades envolvidas.
A Polícia Federal cumpre 31 mandados de busca e apreensão em mais uma fase da Operação Sem Desconto, que investiga descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. As ações ocorrem neste dia, com foco em entidades ligadas a associações que autorizavam descontos. O objetivo é esclarecer como o dinheiro foi retirado dos benefícios dos segurados sem autorização.
Até o meio da tarde, foram apreendidos 22 celulares, 10 veículos, incluindo modelos de alto padrão, e cerca de R$ 287 mil em espécie. Parte do dinheiro foi encontrada em Pernambuco, guardada em sacos pretos dentro de uma mala. Outros itens já haviam sido apreendidos em fases anteriores, como joias e armas.
A investigação, deflagrada em 23 de abril de 2025, mira acordos entre entidades de classe e o INSS para descontos mensais diretamente da folha de pagamento de aposentados, sem o consentimento dos beneficiários. Estima-se que cerca de 6 milhões de aposentados possam ter sido afetados.
A operação também aponta falhas de controle no INSS e o uso indevido de sistemas para facilitar descontos irregulares. Integrantes da cúpula do instituto já são alvo de investigações, que também contribuíram para a disputa política em torno da CPI do INSS.
Esquema e impactos
O modelo envolve descontos associativos não autorizados, praticados por entidades de fachada ligadas a sindicatos e confederações. A CGU identificou que muitas dessas entidades não tinham estrutura compatível com os serviços oferecidos aos associados.
Auditorias indicam que convênios permaneciam ativos mesmo após indícios de irregularidades. A PF investiga se houve omissão de integrantes da cúpula do INSS na gestão desses acordos. Beneficiários muitas vezes não conseguiam consultar seus extratos com facilidade.
Pessoas e movimentações
Entre os investigados, destaca-se Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como lobista que atuava junto a empresas para liberar descontos. Ele teria recebido dezenas de milhões de reais de entidades associativas e repassado parte aos servidores e a empresas ligadas à cúpula.
A investigação também envolve a suposta atuação de ex-diretores do INSS e do ex-chefe da Procuradoria do instituto. Em defesa, a acusação de Antunes foi contestada, com a afirmação de que a inocência será demonstrada no processo.
Contexto legislativo
Descontos associativos vinham sendo usados desde 1991, mas houve aumento significativo a partir de 2019, com mudanças na fiscalização. Em 2022, o Congresso flexibilizou a revalidação da autorização, facilitando a continuidade dos descontos.
Em janeiro, o presidente Lula sancionou a lei 15.327/2026, proibindo descontos associativos em benefícios do INSS e estabelecendo novas regras de proteção ao crédito consignado. O INSS suspendeu acordos de cooperação técnica que envolviam descontos.
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