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PHC questiona Vorcaro sobre necessidade de caixa

PF aponta propina de até R$ 150 milhões em imóveis a Vorcaro, via Master, ligada a operações do BRB; investigação avança

Ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. - (crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado)
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  • Conversas obtidas pela Polícia Federal revelam que Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, colocava o caixa do banco à disposição do Master e era usado para obter imóveis de alto padrão como forma de propina, com menções a “juntar” as vidas e a necessidade de um cronograma de repasses.
  • A investigação aponta que a propina poderia chegar a até 150 milhões de reais, paga por meio de imóveis, incluindo um apartamento decorado no condomínio Heritage, em São Paulo, com exigência de quadra de tênis.
  • Um grupo de WhatsApp chamado “Info BRB” era usado para orientar a produção de documentos fraudulentos e mascarar fraudes no BRB, ligado à aquisição de créditos imprestáveis originados de uma empresa de fachada chamada Tirreno.
  • Os documentos fraudulentos teriam sido apresentados ao Banco Central, indicando manipulação de valores de extratos relativos a créditos envolvendo o BRB e o Master, contribuindo para um rombo bilionário.
  • A conexão entre Cláudio Castro e Daniel Vorcaro aparece nos diálogos e aportes do Rioprevidência, com buscas na casa do ex-governador do Rio de Janeiro na 8ª fase da Operação Compliance Zero; o caso envolve aportes de quase 3,7 bilhões de reais do Rioprevidência e histórico da operação Barco de Papel.

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, é apontado pela Polícia Federal como alguém que não apenas disponibilizava o caixa do banco para o Master, mas que também teria usado esse relacionamento para obter vantagens pessoais com imóveis de alto padrão. As mensagens indicam o objetivo de alinhar aportes bilionários do BRB com ganhos imobiliários para ele e aliados.

A PF teve acesso a diálogos gravados em celulares apreendidos na Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de fraudes envolvendo Daniel Vorcaro. Em uma troca, Costa pergunta qual seria a necessidade de caixa para viabilizar repasses, sinalizando possível cobrança de propina por meio de imóveis.

Ao longo das mensagens, Costa sugere que havia intenção de “juntar as vidas” com Vorcaro, indicando acordos para recebimento de imóveis em troca de aportes do BRB. Em outra comunicação, Costa menciona a elaboração de um cronograma para facilitar os repasses ao banco privado.

Indícios de propina via imóveis

Investigadores apontam que a recompensa de até 150 milhões de reais seria paga por meio de propiedades de alto valor. Em novembro de 2024, Vorcaro orientou uma corretora a buscar imóveis no condomínio Heritage, no Itaim Bibi, São Paulo, com a exigência de que o residencial tivesse uma quadra de tênis.

Segundo registros, um apartamento decorado de 13º andar foi encontrado por 45 milhões de reais e encaminhado para avaliação. Em mensagens subsequentes, Costa reforça a ideia de alinhamento entre as partes para fechar contratos de moradia e outras “carteiras” de investimento.

Grupo de fraude, documentos e o BRB

A PF identificou um grupo de WhatsApp usado por Vorcaro para orientar a produção de documentos fraudulentos, com o objetivo de mascarar operações no BRB. O grupo Info BRB tratava de comprovantes de créditos imprestáveis vinculados ao Master.

Entre os envolvidos constam Alberto Félix, ex-superintendente de tesouraria do Master, e Ângelo Silva, diretor financeiro do BRB, que teriam participação em fraudes. Os papéis eram registrados em cartório, acelerando a cessão de títulos ao BRB, gerando prejuízo bilionário ao banco.

Conexões com Rioprevidência e Cláudio Castro

A investigação aponta vínculos entre Daniel Vorcaro e o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, em aporte de 3,7 bilhões de reais de recursos públicos do Rioprevidência ao Master. A PF realizou buscas na casa de Castro durante a 8ª fase da operação.

Relatório do STF cita encontros entre Castro e Vorcaro no Brasil e no exterior, com aporte de recursos do Rioprevidência usados para sustentar o conglomerado do Master. Mandados de busca ocorreram na residência do ex-governador, na Barra da Tijuca.

Contexto mais amplo da investigação

A Operação Barco de Papel já havia identificado aportes suspeitos do Rioprevidência no Master, estimados em 970 milhões de reais entre 2023 e 2024. A investigação envolve documentos do BC, registros de auditorias e mensagens recuperadas de celulares.

O processo também envolve documentos administrativos do Rioprevidência, bem como registros de credenciamento e supervisões de órgãos de fiscalização. A apuração continua para esclarecer a extensão dos aportes e o papel de gestores públicos no esquema.

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