Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Brasil pode aproveitar janela histórica no mercado global de carbono

Brasil deve aprovar ajustes correspondentes e regulamentação para exportar ITMO e atrair bilhões em investimentos, consolidando liderança global em carbono

País sediou mais importante evento da história climática recente, projetou liderança ao mundo e agora precisa honrar essa imagem com uma decisão regulatória que está ao alcance do governo
0:00
Carregando...
0:00
  • O Brasil detém cerca de 15% do potencial global de soluções baseadas na natureza para remoção de carbono, com florestas capazes de gerar créditos de carbono.
  • Créditos internacionais de carbono, chamados ITMO, são negociados entre países; a demanda global pode ultrapassar 700 milhões de toneladas até 2030, com valor estimado em US$ 35 bilhões no período.
  • A União Europeia está definindo regras para uso de créditos internacionais no seu sistema de cap and trade, com metas de até 235 milhões de toneladas por ano a partir de 2036, gerando um mercado anual de cerca de US$ 19 bilhões.
  • Para acessar mercados regulados, o Brasil precisa conceder Ajustes Correspondentes aos projetos de remoção, o que implica elevar a meta da NDC de forma correspondente.
  • O Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima planeja enviar ainda neste semestre uma proposta regulatória para permitir esses ajustes, buscando atrair investimentos privados para restauração florestal.

O Brasil iniciou a oportunidade de capitalizar o mercado global de carbono ao sediar o maior evento climático recente e sinalizar liderança mundial. A agenda atual envolve reglamentação que permita a exportação de créditos de remoção por meio dos ITMOs, créditos gerados por projetos no território brasileiro.

Dados apontam que o Brasil detém até 15% do potencial global de soluções baseadas na natureza para remoção de carbono, segundo estudos da McKinsey. Caso amplie créditos verificáveis, o país pode vender remoções para compradores internacionais que precisam cumprir metas climáticas.

Entre março e maio, a União Europeia abriu consulta sobre o uso de créditos internacionais no sistema de cap and trade, visando até 235 milhões de toneladas deCO₂e por ano a partir de 2036, com preço potencial de US$ 80 por crédito. O Brasil ainda não adotou ajustes correspondentes.

ITMO, ou Resultado de Mitigação Transferido Internacionalmente, é o crédito negociado entre países. Um emissor excedente pode vender para quem precisa cumprir metas de redução. A demanda global projetada por ITMOs pode superar 700 milhões de toneladas até 2030, gerando oportunidades bilionárias.

Estudos do Oxford Institute for Energy Studies indicam que o mercado mundial de ITMOs pode alcançar cerca de US$ 35 bilhões no período até 2030, considerando o valor médio de US$ 50 por crédito. O potencial brasileiro depende de regulação eficaz e de adesão governamental.

O tema envolve também os Ajustes Correspondentes, instrumento que evita dupla contabilização. Países compradores exigem esses ajustes para creditar as remoções em suas metas. Sem o carimbo, créditos de projetos de restauração florestal perdem acesso a mercados mais exigentes.

Especialistas defendem que a adoção de ajustes não comprometeria a meta brasileira da NDC. Pelo contrário, projetos de remoção em escala ajudam a cumprir as metas com financiamentos privados de longo prazo, por meio de ITMOs.

A restauração florestal em larga escala demanda investimentos privados. Créditos exportados podem viabilizar créditos, empregos e desenvolvimento regional, além de reforçar a bioeconomia e a proteção de serviços ecossistêmicos.

Na prática, o país estaria consolidando sua posição na arquitetura regulatória global de carbono. O CIM planeja submeter, ainda neste semestre, proposta de regulamentação para permitir ajustes correspondentes em projetos de alta integridade.

O Brasil precisa agir para evitar que créditos emitidos por projetos nacionais fiquem limitados aos mercados menos exigentes. A importância estratégica está na capacidade de atrair investimentos, gerando ganhos para natureza, economia e empregos.

A COP 30, realizada em Belém, reforçou a necessidade de implementação das regras do Artigo 6 do Acordo de Paris. A mensagem é clara: avanços são urgentes e dependem de ações regulatórias nacionais consistentes.

O governo federal enfrenta o desafio de alinhar metas, regulação e participação setorial. O CIM avalia que a proposta de ajustes correspondentes pode destravar bilhões de dólares em investimentos privados na restauração florestal.

Fontes próximas ao tema destacam que a decisão regulatória pode transformar o Brasil em protagonista do mercado de carbono, desde que haja coordenação entre governo, setor privado e sociedade civil. O mundo acompanha o desfecho com interesse de longo prazo.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais