- A ACLU da Louisiana entrou com ação contra autoridades estaduais e federais envolvidas na força-tarefa anti-crime de Memphis, alegando intimidação generalizada, acompanhamento de carros, monitoramento de residências e até prisão arbitrária de um observador comunitário.
- Seis observadores descrevem táticas consideradas de intimidação, como uso de veículos sem identificação, paradas de trânsito por motivos questionáveis e detenções arbitrárias, com declarações formais apresentadas à justiça.
- A força-tarefa foi lançada em setembro passado pelo governador do Tennessee, Bill Lee, após ordem executiva de Donald Trump; o dispositivo envolveu mais de dois mil policiais estaduais e federais, com a direção da força sob o mando de Gadyaces S. Serralta.
- Casos relatados incluem suposta perseguição a moradores que filmavam a atuação da força-tarefa, prisão de uma observadora que foi gravada em vídeo e a revogação do status do programa Global Entry de um homem que fotografou as atividades.
- A ACLU afirma que as ações configuram retaliação inconstitucional; a legislação Halo, de 2025, tornou prender alguém que se aproxime a menos de vinte e cinco pés de um policial uma contravenção, e há acusações de uso dessa norma para afastar observadores.
O que aconteceu: uma força-tarefa anti-crime, ordenada pelo ex-presidente Donald Trump, foi implantada em Memphis no ano passado. O objetivo é enfrentar a violência na cidade com participação de agentes federais e da guarda nacional.
A organização não governamental ACLU da Louisiana apresentou uma ação civil contra autoridades estaduais e federais responsáveis pela iniciativa, alegando uso de táticas de intimidação contra observadores comunitários que acompanham o trabalho da força-tarefa.
Quem está envolvido: observadores voluntários, membros da força-tarefa e funcionários de autoridades que supervisionam o programa, incluindo o diretor da agência de fiscalização que lidera o corpo. O caso envolve várias testemunhas que documentaram supostos abusos.
Quando e onde: as ocorrências teriam ocorrido ao longo de meses em Memphis, Tennessee, cidade com forte presença de policiamento público, ampliada pela atuação da força-tarefa desde setembro do ano anterior.
Por quê: a ACLU alega que a tática de acompanhamento de veículos, monitoramento de residências e prisões arbitrárias visa reduzir a criminalidade, mas termina por intimidar quem presta vigilância independente sobre as ações oficiais.
Ações legais e depoimentos
Seis observadores apresentaram declarações sobre supostas práticas de intimidção usadas pela força-tarefa, incluindo aproximações com veículos não identificados e abordagens sem justificativa clara.
Um caso envolve um observador que relatou vigilância constante em sua residência e de outras pessoas envolvidas, com relatos de veículos não marcados se aproximando de forma agressiva. As declarações descrevem episódios de medo persistente e sensação de invasão.
Outra testemunha afirmou que um agente, ao abordar o observador, se dirigiu a ele pelo nome em um veículo sem identificação durante uma atividade de monitoração, aumentando a sensação de vigilância.
Um terceiro relato descreve uma prisão considerada precipitada, com a pessoa mantida em cela por um tempo prolongado sob circunstâncias questionáveis, antes de a acusação ser retirada posteriormente.
Ações administrativas envolvendo um ex-profissional de saúde que fotografava as atividades da força-tarefa teriam levado à revogação de seu status em um programa de controle de fronteiras, sob alegação de investigação policial em curso ou suspeita de conduta ligada ao terrorismo.
Horários e formatos de atuação, segundo as acusações, teriam incluído uso de alto risco na abordagem de observadores e de espaços públicos, além de ameaças de prisão para coibir a observação de atividades oficiais.
Além disso, a queixa aponta que alguns oficiais teriam afastado observadores de cenas críticas com distâncias que variam conforme interpretação, dificultando a proteção de informações públicas e o acompanhamento documentado.
O que foi dito pela defesa e pelo governo: autoridades destacam números de sucesso da força-tarefa, como redução de crimes em Memphis, com quedas em homicídios e registros de apreensões de armas. O governo também aponta indicadores de atuação, como serviços prestados à população, sem entrar em detalhes sobre investigações em curso.
O cenário atual envolve debates sobre limites entre fiscalização comunitária, atuação policial e o uso de leis locais para regular a aproximação de oficiais, com a ACLU pedindo que o caso seja apurado de forma imparcial, com salvaguardas constitucionais.
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