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IAB propõe alterações no projeto de reforma do Código Civil

IAB entrega ao Senado estudo com propostas para a reforma do Código Civil, buscando alinhar inteligência artificial, plataformas digitais e proteção de dados com a LGPD

A instituição propõe mudanças em IA, plataformas e direito digital no CC.
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  • IAB entregou ao Senado, em 28 de maio, um documento com propostas de reforma do Código Civil, reunindo trabalhos do Grupo de Estudos da entidade.
  • O objetivo é reduzir o excesso de regras no Livro de Direito Civil Digital e harmonizar com LGPD, Marco Civil da Internet e ECA Digital.
  • O IAB defende evitar duplicidade com o Marco Civil da Internet, removendo responsabilidade objetiva ampla no ambiente digital.
  • Sobre o direito ao esquecimento, o documento defende excluir dados apenas em hipóteses específicas, compatibilizar com LGPD e GDPR, e rejeitar remoção ampla de conteúdos na fonte.
  • O texto propõe tornar o Direito Civil Digital mais principiológico, com menos normas técnicas detalhadas, e reforçar regras para IA, plataformas digitais e contratos inteligentes.

A 2ª vice-presidente do IAB, Ana Amelia Menna Barreto, entregou no dia 28/5 ao senador Rodrigo Pacheco um documento com propostas do Grupo de Trabalho da Reforma do Código Civil. O material reúne trabalhos sobre IA, plataformas digitais, contratos e proteção de dados. Rodrigo Pacheco preside a Comissão Temporária para examinar a atualização do Código Civil (PL 4/2025). A entrega ocorreu em âmbito de debates sobre o avanço tecnológico no texto civil.

O IAB propõe mudanças para reduzir excessos do Livro de Direito Civil Digital e harmonizar o texto com LGPD, Marco Civil e ECA Digital. Entre os pontos, há sugestões de simplificação de dispositivos e alinhamento com regras já vigentes, especialmente no capítulo dedicado a crianças e adolescentes no ambiente digital. A ideia é evitar conflitos com normas existentes.

O documento também aborda a necessidade de evitar duplicidade com o Marco Civil da Internet, sugerindo excluir dispositivos que criem responsabilidade objetiva ampla no ambiente digital. A argumentação é de que o MCI já regula a responsabilização das plataformas e que novas regras genéricas poderiam gerar insegurança jurídica.

Reduzir excessos do Livro de Direito Civil Digital

  • O IAB aponta que o PL traz regras detalhadas para temas tecnológicos que já possuem cobertura normativa. Propõe enxugamento e harmonização com LGPD, Marco Civil e ECA Digital.
  • Em relação a crianças e adolescentes, sugere retirar obrigações amplas para provedores e remissão à legislação existente, evitando conflito com o ECA Digital.

Direito ao esquecimento e dados

O texto sugere distinguir entre exclusão de dados sob hipóteses específicas e a exclusão ampla de conteúdos na origem. Propõe compatibilizar com LGPD e GDPR, deixando claro que o titular pode exigir apenas dados referentes a si. Também prevê responsabilidade do controlador pela demora na exclusão. Ao mesmo tempo, recomenda a supressão de artigos que permitam excluir informações de sites, por riscos a liberdade de expressão.

Neurodireitos e termos técnicos

O IAB considera o rol de neurodireitos detalhado como potencial risco de obsolescência e conflitos com a LGPD. Recomenda manter apenas uma cláusula geral de proteção da esfera mental, com regulamentação futura específica em leis posteriores.

Conceitos centrais do Direito Civil Digital

Há críticas à vaguidade de alguns conceitos do PL. Propõe redefinir ambiente digital de forma mais ampla, incluindo redes privadas e tecnologias futuras, e introduzir o princípio de equivalência funcional entre atos digitais e físicos. Navegação e silêncio não devem significar consentimento automático.

Fortalecer regras sobre plataformas digitais

O documento questiona o critério de 10 milhões de usuários para plataformas de grande alcance. Sugerem atualização periódica do limite e inclusão de critérios qualitativos, com consideração de plataformas de impacto sistêmico relevante mesmo com números menores.

IA, responsabilidade e impacto

Propõe responsabilização objetiva de desenvolvedores e fornecedores de IA, com previsão de reparação de danos e avaliação de impacto algorítmico em setores sensíveis. O texto atual, segundo o IAB, é vago sobre quem responde e em que condições.

Contratos inteligentes e segurança jurídica

O IAB defende ampliar o conceito de smart contracts, exigir correspondência entre código e contrato legível, proibir funções ocultas, incluir mecanismos de interrupção seguros e assegurar auditabilidade e rastreabilidade.

Transferência de patrimônio digital

O documento recomenda impedir que plataformas imponham custos excessivos ou barreiras técnicas desproporcionais, assegurando o valor do patrimônio digital transferido.

Família, sucessões e tema tributário

Estudos sobre alimentos compensatórios, multiparentalidade, divórcio post mortem e exclusão do cônjuge como herdeiro necessário são apresentados para estabelecer critérios claros e evitar interpretações amplas.

Impactos legais mais amplos

O Instituto destaca que mudanças no conceito civil podem impactar ITCMD, função social dos contratos e cláusulas penais, exigindo atenção aos efeitos tributários.

Defesa de um CC mais principológico

O IAB defende menos detalhamento técnico no Código Civil, privilegiando princípios gerais e deixando normas técnicas para a legislação especial, para evitar envelhecimento rápido diante da tecnologia.

O material completo do IAB está disponível para consulta em materiais oficiais da entidade. A proposta visa orientar futuras discussões no Congresso sobre a reforma do Código Civil, com foco em neutralidade, segurança jurídica e compatibilidade normativa.

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