- Estudo com 123.598 pessoas com seguro privado mostra que estados com restrições de aborto após a decisão Dobbs afetam o cuidado de miscarágio.
- Em estados com proibição, houve aumento de gestão expectante em 2,8 pontos percentuais e queda de 2,2 pontos percentuais na gestão medicamentosa.
- Pacientes nesses estados que receberam medicamento tiveram aumento de 13,8 pontos percentuais no uso apenas de misoprostol, menos alinhado com a prática recomendada.
- A pesquisa pode subestimar o problema, pois analisou apenas pessoas com seguro privado, potencialmente piorando em quem depende de Medicaid.
- A decisão Dobbs, em junho de 2022, marcou a fragmentação do cuidado pré-natal entre estados, dificultando o acesso a opções de tratamento para perdas gestacionais.
O estudo mostra que restrições ao aborto nos EUA estão dificultando o acesso a cuidados em casos de aborto espontâneo. A pesquisa analisa mercados de saúde após a decisão Dobbs, em junho de 2022, que derrubou Roe v. Wade.
Foram avaliados 123.598 indivíduos com seguro privado. Destes, 54.181 viviam em estados com restrições após o Dobbs, e 69.417 residiam em estados sem tais limitações. A comparação revela impactos distintos na assistência.
A pesquisa, publicada no JAMA em 18 de maio, aponta que estados com desencadeamento de proibições apresentaram aumento de 2,8 pontos percentuais em manejo expectante e queda de 2,2 pontos percentuais no uso de medicamentos para miscarriage. Espécimes com tratamento medicamentoso registraram incremento de 13,8 pontos em uso apenas de misoprostol.
O manejo de aborto espontâneo envolve opções de espera, uso de medicamentos como mifepristona e misoprostol, ou procedimentos para expulsão rápida do conteúdo. A equipe destacou que a prática médica para miscarriages é compatível com a de aborto induzido, compartilhando as mesmas opções terapêuticas.
Segundo os autores, a amostra sobestende que pessoas com seguro privado já apresentam diferenças substanciais. Se a diferença surge nesse grupo, a situação entre indivíduos sem seguro ou com Medicaid tende a ser ainda mais grave, aumentando riscos maternos.
A pesquisadora Maria Rodriguez, professora de obstetrícia e ginecologia, ressalta que restrições reduzem as opções de cuidado e podem levar a atendimentos de menor qualidade. A presença de barreiras legais também pode desincentivar a prescrição e o custeio de tratamentos de miscarriage.
Estima-se que mais de um milhão de perdas gestacionais ocorrem anualmente nos EUA, com dezenas de milhares em estados com restrições de aborto. A especialista Jenna Nobles ressalta a necessidade de capacidades médicas para evitar complicações graves decorrentes de manejo inadequado.
Desdobramentos e contexto
Especialistas destacam que o cuidado com miscarriage envolve a mesma linha de tratamento do aborto, incluindo medicações comuns e procedimentos de interrupção quando necessário. Mudanças nas políticas podem afetar a segurança e a experiência de pacientes e familiares.
Barragens ao acesso a serviços reprodutivos ampliam a carência de profissionais em determinadas regiões e criam desertos sanitários. O estudo enfatiza que o pleno atendimento exige ampliar a capacidade médica para garantir opções terapêuticas padronizadas.
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