- União Europeia discute retirar o couro do escopo do Regulamento de Desmatamento da União Europeia (EUDR), o que alteraria as exigências de rastreabilidade para o setor.
- O regulamento busca impedir a entrada de produtos associados ao desmatamento, exigindo comprovação de origem de matérias-primas como couro, soja, carne e madeira desde 2020.
- Organizações da sociedade civil defendem a manutenção do couro no EUDR, citando ligação do couro com desmatamento, inclusive em áreas indígenas no Brasil.
- O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de couro, o que torna a rastreabilidade um tema central, com avanços já em curso, apesar de gargalos nas etapas anteriores ao abate.
- A organização Earthsight tem buscado engajar marcas de moda para apoiar a regulamentação do couro, ressaltando que várias permanecem em silêncio mesmo com políticas ambientais divulgadas.
A União Europeia avalia excluir o couro do escopo do Regulamento de Desmatamento (EUDR). A medida causaria implicações diretas para a indústria da moda, que depende de rastreabilidade da origem de matérias-primas. O objetivo é evitar produtos ligados ao desmatamento após 2020.
Organizações da sociedade civil reiteram a importância de manter o couro no regulamento. Elas afirmam que há ligação comprovada entre desmatamento ilegal, inclusive em áreas indígenas no Brasil, e a produção de couro, segundo estudos de organizações independentes.
A polêmica ganhou força durante as discussões da Comissão Europeia, com avaliações que indicam relevância de manter o material exigido na legislação ambiental. A posição é de que a rastreabilidade é viável e pode colaborar para a efetividade da agenda climática.
A indústria brasileira de couro está entre as maiores do mundo e abastece marcas globais. Especialistas destacam que a exclusão poderia reduzir incentivos para melhorar cadeias produtivas e práticas de rastreabilidade no Brasil.
Para ampliar o diálogo, organizações da sociedade civil endossam uma carta ao Parlamento Europeu defendendo a permanência do couro no EUDR. O documento ressalta impactos ambientais e sociais da cadeia pecuária e a viabilidade de rastrear a origem do gado.
A rastreabilidade já cresce em iniciativas públicas e privadas, com diferentes estágios de adoção em empresas. O principal desafio continua nas etapas anteriores ao abate, compartilhadas com a cadeia da carne.
Marcas de moda são apontadas como integrantes-chave na promoção de práticas mais responsáveis. Ao exigir rastreabilidade de fornecedores, o setor pode conferir maior valor agregado aos produtos e fortalecer a governança ambiental na cadeia.
A organizacao Earthsight tem buscado engajar marcas para apoiar a regulamentação do couro. Alguns players permanecem em silêncio, o que tem gerado críticas sobre a responsabilidade das empresas diante dos compromissos ambientais.
Assim, o tema envolve fatores econômicos e climáticos: o couro representa receita relevante para o setor pecuário, além de influenciar mercados globais. O debate continua entre proteção ambiental, competitividade e consulta pública.
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