- Haddad mantém posição sobre a chamada “taxa das blusinhas”, afirmando que não mudou de ideia, mesmo após Lula ter recuado.
- Segundo o ex-ministro, governos estaduais continuam cobrando ICMS sobre compras internacionais, defendendo tratamento igual entre loja física e virtual.
- Haddad sugere a possibilidade de uma prévia no PT para a escolha do candidato que sucederá Lula, considerando-a “algo bonito”.
- Em São Paulo, o ex-ministro está em campanha de pré-campo, visitando interior e universidades, e aponta déficits do governo tucano de Tarcísio de Freitas em áreas como finanças e segurança pública.
- O PT ainda discute quem será o vice na chapa de Haddad e a forma de conduzir a sucessão de Lula, sem confirmar nomes de possíveis candidatos.
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad reafirmou, em entrevista à BBC News Brasil, que não mudou de opinião sobre a chamada taxa das blusinhas, mesmo após o recuo de Lula. Ele sustenta que o ICMS sobre compras internacionais continua vigente nos estados e que a cobrança não deve recair apenas sobre lojistas presenciais.
Haddad, em pré-campanha ao governo de São Paulo, defende a cobrança de imposto sobre importados defendida por governadores e pela indústria, citando dados da CNI de criação de empregos e ressaltando que a medida não pode favorecer apenas lojas físicas. Ele critica o discurso de oposição e afirma que a política tributária deve ser debatida com participação dos estados.
O ex-ministro diz que, se houver uma prévia no PT para a escolha do candidato, poderia ser algo positivo. Em relação à sucessão de Lula, Haddad comenta que o PT discute nomes de quadros experientes, sem confirmar alianças ou vices, e aponta que a decisão sobre o formato da escolha interna deve ocorrer em breve.
Segundo Haddad, o governo de São Paulo vive um momento de fragilidade financeira e problemas em áreas como educação e saneamento, citando a Sabesp e a privatização da EMAE como exemplos que, na leitura dele, exigem avaliação técnica e transparência. Ele garante que, se eleito, adotará medidas para fortalecer a segurança pública de forma planejada.
Sobre segurança pública, Haddad afirma já possuir um plano de atuação que prioriza cooperação entre órgãos federais e estaduais. Ele destaca que a política de inteligência e o compartilhamento de dados devem ser centrais para o combate ao crime organizado em São Paulo.
O petista também comenta o cenário econômico nacional, defendendo a necessidade de ajuste fiscal e destacando que um novo governo herdaria um país com melhor situação fiscal, desde que haja equilíbrio entre juros, dívida e crescimento. Em relação ao juro, ele afirma que o tema depende da autoridade monetária.
Em diálogo com a jornalista, Haddad comenta ainda a importância da educação financeira e da adaptação do PT a novas formas de trabalho, como o precariado, para ampliar o estreitamento com diferentes segmentos da sociedade. Ele reforça disposição de dialogar com o Congresso para avançar reformas.
Sobre a disputa interna do PT e o cenário em São Paulo
Haddad afirma que o PT precisa manter diálogo com diferentes lideranças para fortalecer o projeto 2026, inclusive discutindo a formação de uma base ampla para o governo paulista. Ele enfatiza que a decisão sobre a chapa e o vice deve ocorrer até meados de junho.
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