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Lavagem de dinheiro e confusão patrimonial levam polícia à produtora Dark Horse

Polícia investiga desvios e notas frias em contrato de 108 milhões para Wi‑Fi em São Paulo; apontam possível repasse indireto de recursos ao filme Dark Horse

Flávio Bolsonaro afirma que operação da polícia não tem relação com o longa-metragem sobre o pai
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  • A Polícia Civil de São Paulo deflagrou a Operação Wi‑Fi para apurar supostos desvios no contrato de R$ 108 milhões para instalação de wifi na capital, com mandados em endereços ligados a Karina Ferreira da Gama e à produtora Go Up Entertainment Ltda.; ninguém foi preso.
  • A investigação aponta possível lavagem de dinheiro, desvio de finalidade e confusão patrimonial envolvendo Karina Gama e o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro; a Secretaria afirma que a vereação não houve repasse municipal para o longa.
  • Há irregularidades apontadas, como quatro faturas da Make Onde Tecnologia Digital Ltda. no total de R$ 8,5 milhões sem notas fiscais ou tributos, com numeração sequencial e datas iguais.
  • Também são alvo de apuração notas da Complexys Soluções Integradas no valor de R$ 2 milhões, canceladas no mesmo dia, além de pagamentos da JR Feijão Ltda. de R$ 406 mil; há suspeita de autofaturamento e duplicidade de faturas.
  • A Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda. (Urban Connect) teria recebido cerca de R$ 2 milhões até dezembro de 2025, em contrato de R$ 12 milhões; há atrasos de dados do representante citado e indícios de irregularidades. A prefeitura afirma que não houve financiamento ao filme e que o contrato seguiu a lei.

A Polícia Civil de São Paulo abriu uma investigação sobre possível desvio de recursos públicos ligados a um contrato de R$ 108 milhões para instalação de wifi na capital. A apuração envolve a produtora Go Up Entertainment Ltda e a sócia-administradora Karina Ferreira da Gama, ligada ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. A operação apura lavagem de dinheiro, confusão patrimonial e desvio de finalidade.

Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta segunda-feira em endereços associados a Karina. Não houve prisão. A investigação também envolve indícios de notas frias, autofaturamento e repasse indireto de verbas públicas para o financiamento audiovisual do filme.

A prefeitura de São Paulo disse que repudia ilações de desvios e que o contrato com o Instituto Conhecer Brasil seguiu os princípios de legalidade, transparência e economicidade. A administração afirma que o programa de wifi livre funciona na cidade e está sob controle público.

Inconsistências em faturas

A etapa preliminar aponta quatro faturas da Make Onde Tecnologia Digital Ltda totalizando R$ 8,5 milhões sem notas fiscais correspondentes ou recolhimento tributário. As faturas possuem numeração sequencial, data e vencimento idênticos, sugerindo possível montagem.

A Make One foi contratada pelo ICB para instalar 5 mil pontos de wifi na periferia, e teve endereços alvo nas buscas. Sócios e advogados não puderam ser localizados pela reportagem.

Além disso, a investigação analisa notas da Complexys Soluções Integradas no valor de R$ 2 milhões que teriam sido canceladas no mesmo dia da emissão, usadas para justificar despesas.

A JR Feijão Ltda, com sede no Ceará, teria recebido R$ 406 mil em 2024 para o contrato com o ICB. A equipe policial também avalia possíveis casos de autofaturamento pelo ICB de mais de R$ 1,4 milhão.

Favela Conectada

Há indícios de subcontratação da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda, hoje Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda, contratada por R$ 12 milhões. Registros indicam recebimento de R$ 2 milhões até dezembro de 2025.

A polícia constatou ausência de dados do contrato da Favela Conectada, como o nome completo do representante, identificado apenas como Alex. Alex Sandro Bispo dos Santos, preso por feminicídio, teria ligado a empresa. A firma teria sido transferida para uma mulher associada ao antigo proprietário.

Reações e próximos passos

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato pelo PL, afirmou que a operação não visa o filme Dark Horse, mas contratos de wi-fi. O deputado destacou que o acordo foi homologado antes da produção do filme e que não haveria relação com o projeto.

A prefeitura informou que seguirá colaborando com as autoridades e que o material está disponível publicamente por meio de prestações de contas. O caso continua em apuração, sem informações sobre eventual continuidade de contratos ou novos desfechos.

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