- O governo bloqueou ao menos 27 sites de mercado de previsão em abril, incluindo Kalshi e Polymarket.
- Mesmo proibidas, as plataformas são tratadas nas redes como termômetro político, embora especialistas digam que não medem intenções de voto nem preverem resultados.
- Postagens ligadas à direita destacaram suposta liderança de Flávio Bolsonaro, comEduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo ganhando engajamento após a proibição.
- No fim de maio, posts sobre a “virada” de Lula ganharam força; o Polymarket registrou volume de cerca de US$ 86,8 milhões na última semana de maio, com Lula em torno de 44% de chance de vitória.
- Especialistas ressaltam que mercados de previsão respondem a probabilidades em tempo real, não a intenções de voto, e podem apresentar riscos de manipulação ou uso de informação privilegiada.
O governo brasileiro bloqueou ao menos 27 sites do chamado mercado de previsão, incluindo Kalshi e Polymarket. Mesmo proibidas, as plataformas seguem presentes nas redes sociais como suposto termômetro da disputa pela Presidência.
Especialistas destacam que derivativos de previsão não substituem pesquisas eleitorais. Eles apontam que essas plataformas respondem a probabilidades de vitória, não à intenção de voto direta, e operam em tempo real, com base nas apostas dos usuários.
Polêmicas e engajamento nas redes indicam que o tema ganhou espaço entre apoiadores da direita. Análises da BBC News Brasil apontam que posts sobre Polymarket e Kalshi cresceram em 2026, com publicações associando o bloqueio à liderança de Flávio Bolsonaro.
O conteúdo mais engajado vem de políticos e influenciadores próximos ao bolsonarismo. Um exemplo: Eduardo Bolsonaro publicou em maio de 2026, associando a decisão a uma vantagem de Flávio Bolsonaro na disputa. A mensagem teve expressivo número de curtidas e compartilhamentos.
Também há mensagens de apoiadores da família Bolsonaro questionando a censura e sugerindo que a queda de Flávio nas apostas estaria ligada a fatos envolvendo financiamentos para um filme sobre Jair Bolsonaro. Publicações desse tipo tiveram alto engajamento no mês.
No fim de maio, o cenário mudou: posts sobre uma possível virada de Lula na Polymarket passaram a ganhar mais alcance, associando o desempenho de Lula a decisão de bloquear o acesso às plataformas.
Dados da Polymarket mostram que, na última semana de maio, o volume negociado no site ficou em cerca de US$ 86,8 milhões, com Lula, Flávio Bolsonaro e Renan Santos entre os principais nomes em movimentação. Lula era cotado com ~44% de chances de vitória.
Antes de o acesso ser bloqueado, algumas pessoas acessavam as plataformas por meio de VPN. A prática contorna bloqueios regionais, permitindo visualizar conteúdos restritos.
Especialistas explicam que o objetivo das plataformas é diferente do de pesquisas. Enquanto as pesquisas estimam intenção de voto, as apostas calculam a probabilidade de vitória com base no comportamento dos usuários. Essa diferença costuma refletir em resultados distintos.
Pesquisas e plataformas de previsão operam em ritmos diferentes. Pesquisas demoram para coleta e divulgação; contratos de previsão mudam conforme fatos emergentes, em tempo real. A leitura de cenários pode divergir entre os instrumentos.
Relatos de estudos e análises indicam riscos associados às plataformas. Dados citados por veículos apontam concentração de ganhos entre uma minoria de usuários com alto capital e acesso a dados e tecnologia, levantando questões sobre representatividade e possibilidade de manipulação.
Caso utilizado para ilustrar riscos, a denúncia do Departamento de Justiça dos EUA envolve uso de informação privilegiada por um usuário da Polymarket ligado a uma operação de captura de um chefe de Estado estrangeiro. O episódio reforça a necessidade de cautela ao interpretar esses mercados.
Especialistas destacam ainda que a atuação de agregadores de pesquisas pode oferecer probabilidades de vitória sem depender de plataformas de aposta, ajudando a entender o cenário sem depender de contratos de previsões.
Para leitores interessados em acompanhar a evolução, a BBC News Brasil mantém um levantamento de probabilidades de vitória com base em pesquisas, em parceria com a PollingData. Acesse o material para entender diferentes métodos de avaliação eleitoral.
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