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ONG ligada à produtora de Dark Horse pagou R$ 454 mil a advogado de Mario Frias

Operação Wi-Fi Livre envolve pagamento de R$ 454 mil a advogado de Mario Frias pela ONG Conhecer Brasil, com apuração no STF

Karina Ferreira Gama, produtora de 'Dark Horse' e presidente do Instituto Conhecer Brasil
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  • A ONG Instituto Conhecer Brasil pagou R$ 454 mil ao advogado Diego Aguilera, com valores registradas como assessoria jurídica, oriundos da Prefeitura de São Paulo para o programa Wi‑Fi Livre.
  • Os pagamentos ocorreram entre julho de 2024 e dezembro de 2025, totalizando dezoito repasses, conforme prestação de contas da ONG.
  • Aguilera atua como defensor do deputado federal Mario Frias (PL‑SP), que afirma não ter utilizado cota parlamentar para advogados desde o início de 2023.
  • Frias aparece em pelo menos oito processos com Aguilera, incluindo ações no STF sobre suposto direcionamento de emendas para a produção do filme Dark Horse; o advogado nega desvios.
  • A prefeitura sustenta que os documentos comprovam serviços de assessoria jurídica e compliance; a ONG não respondeu e a Polícia Civil investiga a operação Wi‑Fi Livre.

A ONG Instituto Conhecer Brasil pagou 454 mil reais a Diego Aguilera, advogado de Mario Frias, com parte de recursos federais destinados pela Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de Wi-Fi na cidade. A operação Wi-Fi Livre, deflagrada pela Polícia Civil paulista, envolve o caso.

A ONG é presidida por Karina Ferreira da Gama, que também é sócia da produtora GoUp, ligada ao filme Dark Horse. Frias atua como produtor-executivo e roteirista do longa, e Aguilera tem atuação em defesa do deputado em diversos processos.

Os pagamentos a Aguilera aparecem como assessoria jurídica e serviços advocatícios em notas fiscais. O UOL não localizou, nas prestações de contas, um contrato específico com o advogado nem comprovantes detalhados dos serviços.

O que envolve a atuação de Aguilera

Entre os casos sob a atuação do advogado para Frias, há apuração no STF sobre suposta direcionação de emendas para a produção de Dark Horse, por meio da ONG. Aguilera assinou petição negando desvios de recursos ao ministro Flávio Dino, relator da ação.

Além disso, Aguilera figura em pelo menos oito processos envolvendo Frias, conforme levantamento do UOL com base na base da Escavador. Em muitos casos, ele atua com Fabio Lago, que também recebeu pagamentos do Instituto Conhecer Brasil.

Pagamentos e contratos com a Prefeitura

O Instituto Conhecer Brasil realizou 18 pagamentos ao Aguilera Martinez Sociedade Individual de Advocacia, entre julho de 2024 e dezembro de 2025, totalizando 454 mil reais. Os dados constam da prestação de contas de 2024 e 2025.

A prefeitura divulgou que as notas fiscais citam serviços de assessoria jurídica, compliance e análise de risco vinculados ao programa Wi-Fi Livre SP. A administração municipal afirmou que isso comprova a prestação de serviços pela ONG.

A prefeitura destacou que o fato de o escritório do advogado atender também o parlamentar não configura irregularidade, afirmando que seguiu os princípios de legalidade, transparência e economicidade.

Detalhes operacionais e resposta das partes

O primeiro repasse municipal ocorreu em 19 de julho de 2024, seguido de pagamentos de aproximadamente 151 mil reais ao escritório de Aguilera. As notas fiscais descrevem análise de risco, prestação de contas, manuais de compras, contratos de serviços, entre outros itens.

A prefeitura questionou se houve documentação adicional para comprovar as despesas, mas não houve resposta até o momento. Os pagamentos integram um contrato de 108 milhões de reais anuais para instalar 5 mil pontos de wi-fi na cidade.

Reação de Frias e dos envolvidos

Frias não se pronunciou após contato da reportagem. Aguilera não respondeu aos contatos do UOL. A OAB e a Receita Federal também não retornaram manifestações. O Instituto Conhecer Brasil não forneceu resposta sobre os pagamentos a Aguilera.

A ONG afirmou que os procedimentos em curso permitirão demonstrar a regularidade das ações e a correta aplicação dos recursos, além de afastar eventual desvio de finalidade nos projetos. A prefeitura reiterou a transparência dos procedimentos.

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