- Vídeo com Flávio Bolsonaro agradecendo a Trump e a Marco Rubio é enganoso; o material foi tirado de contexto.
- Na gravação original, publicada em 28 de maio, ele afirma ter feito um pedido para classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, e não sobre tarifas.
- O vídeo foi divulgado nas redes sociais do PT; quatro dias depois, em 1º de junho, os Estados Unidos propuseram tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros.
- O governo brasileiro se opõe à classificação, dizendo que afetaria a soberania do país; a defesa de Flávio é de que pediu “em nome do povo brasileiro”.
- Em 7 a 27 de maio houve encontros entre Lula e Trump e assessores; o Departamento de Estado negou que a decisão tenha sido influenciada por pedidos políticos de brasileiros.
O vídeo em circulação mostra um trecho em que parece haver um agradecimento de Flávio Bolsonaro a Donald Trump pela taxação do Brasil. Contudo, a leitura correta do material aponta para outra pauta.
O vídeo original foi publicado pelo senador Flávio Bolsonaro em sua conta nas redes sociais em 28 de maio. Nele, ele trata da classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, e não de tarifas comerciais.
Ao longo da gravação, Flávio afirma ter pedido aos EUA que reconhecessem as facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, durante viagens ao país. A gravação não aborda taxas ou tributos.
Verificação
O Estadão Verifica informou que o conteúdo está fora de contexto. Em 1º de junho, quatro dias após a postagem, o Escritório Comercial dos EUA propôs tarifa geral de 25% sobre produtos brasileiros. A autoridade estadunidense negou que a decisão tenha sido influenciada por pedidos de políticos brasileiros.
O governo brasileiro reagiu, dizendo que a medida representava intervenção externa e desrespeitava a soberania. O vídeo que circula nas redes sociais foi usado por apoiadores para atribuir agradecimentos a Trump por tarifas, o que não ocorreu na gravação original.
As informações oficiais apontam que a decisão de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas foi anunciada pela Secretaria de Estado dos EUA após avaliação de questões que incluem comércio, propriedade intelectual e políticas de segurança. O caso gerou perguntas sobre interferência e retórica política.
Em nota, o governo dos EUA afirmou que houve reuniões com autoridades brasileiras, mas não houve consenso sobre as questões discutidas. O repasse público sobre o assunto manteve o foco técnico das avaliações de políticas e cooperação entre ambos os países.
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