- A juíza decidiu extinguir a punibilidade de Monique Medeiros pelo perdão judicial, após entendimento de que ela não teve dolo no homicídio de Henry Borel, desclassificando a imputação para homicídio culposo.
- A magistrada apontou que Monique sofreu misoginia e cultura patriarcal que impõem à mulher o papel de “mãe perfeita”, o que influenciou a forma de tratamento no caso.
- Jurados entenderam que Monique não cometeu o crime com intenção, contribuindo para o perdão judicial.
- Jairinho, condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão, foi o réu no processo relacionado à morte da criança.
- O julgamento, com duração de dez dias, foi o mais longo da história do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
A juíza Elizabeth Machado Louro, do Rio de Janeiro, concedeu perdão judicial a Monique Medeiros no processo pela morte do filho Henry Borel. A decisão foi proferida na madrugada desta quinta-feira (4), durante a leitura da sentença de Jairinho, condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelo caso. Monique foi inocentada de dolo no homicídio culposo.
A magistrada afirmou que Monique foi alvo de uma reação social desproporcional, marcada por preconceitos de gênero. Ela sustentou que a acusada sofreu um massacre público e internalizou um peso institucional, mesmo não tendo sido acusada de agredir o filho. O veredito considerou ainda o contexto de uma cultura patriarcal que impõe o ideal de “mãe perfeita”.
Perdão judicial e contexto do caso
A decisão de extinção da punibilidade ocorreu após a desclassificação da imputação de homicídio qualificado para homicídio culposo de Henry, segundo a juíza. Ela destacou que a percepção pública contribuiu para desfigurar a imagem de Monique durante anos de investigação e processo.
A magistrada ressaltou que, sob as mesmas circunstâncias, a sociedade provavelmente não teria aplicado o mesmo rigor a um pai. Ela apontou que o papel culturalmente reservado à mulher reforça padrões incompatíveis com a realidade humana, alimentando a pressão social sobre mães em situações similares.
Desdobramentos e situação processual
Monique Medeiros permaneceu sob vigilância do sistema penal durante a investigação, enfrentando críticas e ataques nas redes e, segundo a decisão, inclusive conflitos no ambiente prisional. A sentença aponta que o isolamento foi a consequência enfrentada no cárcere e enfatiza a gravidade do assédio moral institucional.
O julgamento, considerado o mais longo da história do Tribunal de Justiça do Rio, teve duração de 10 dias. Jairinho continua condenado pela morte de Henry, enquanto Monique teve a punibilidade extinta pelo perdão judicial, em virtude das circunstâncias descritas pela magistrada.
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