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Nova pesquisa aponta apoio limitado à liberdade de expressão no Brasil

Pesquisa aponta apoio à liberdade de expressão, mas revela receios sobre poderes do Estado para censurar conteúdos

Segundo pesquisa, mais da metade dos brasileiros acredita que criticar o STF é proibido no Brasil. (Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado / Arquivo)
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  • Pesquisa do Instituto Sivis com mais de mil brasileiros mostra apoio misto à liberdade de expressão: valoriza imprensa livre e fala livre, mas também defende restrições.
  • Cerca de dois terços dos entrevistados concordam que proteger a liberdade permite que opiniões minoritárias sejam ditas; a mesma proporção acha que o governo pode obrigar plataformas a remover conteúdos considerados falsos ou ofensivos.
  • O estudo aponta o risco de o Estado usar esses poderes para censurar discursos de oposição no futuro, segundo Assis, diretor do Sivis.
  • Aproximadamente 80% dos respondentes dizem que apoiar o direito de alguém dizer coisas racistas é tão ruim quanto ter opiniões racistas, indicando entendimento superficial sobre o tema.
  • Mais da metade acredita que é proibido criticar publicamente o STF por prejudicar a democracia, sinalizando lacunas entre ideal democrático e percepção pública.

A nova pesquisa do Instituto Sivis aponta apoio limitado à liberdade de expressão no Brasil. O estudo analisa direitos e limites no país, destacando tensions entre defesa de imprensa livre e desejo de restringir conteúdos. A pesquisa ouviu 1.100 brasileiros.

Mais de 77% dos entrevistados consideram importante ou muito importante que a mídia divulgue notícias sem censura e que as pessoas possam falar livremente. Ao mesmo tempo, grande parte defende restrições à liberdade de expressão.

Intervenção do Estado e risco de censura

Duas em cada três pessoas concordam que proteger a liberdade de expressão garante direito de se manifestar mesmo sobre temas ofensivos. Porém, a mesma proporção defende que o governo tenha poder para remover conteúdos considerados falsos ou ofensivos.

O diretor Assis afirma que ampliar poderes do Estado para restringir discursos é perigoso. Ele alerta que o alvo pode mudar conforme quem governa, permitindo censura a opositores no futuro.

Percepção pública e exemplos

O estudo cita o influenciador Monark para ilustrar a percepção de que apoiar o direito de falar algo ofensivo pode levar a rótulos de defender o absurdo. Assis diz que há uma compreensão superficial da liberdade de expressão no país.

Cerca de 80% dos entrevistados concordam que apoiar o direito de dizer coisas racistas pode ser tão ruim quanto ter opiniões racistas. O instituto vê nesse ponto uma distorção do debate democrático.

Criticar instituições é visto como proibido

Mais da metade dos pesquisados entende que criticar publicamente o STF pode prejudicar a democracia. O Sivis enfatiza a distância entre o ideal democrático e a percepção cotidiana, nas redes e nas ruas.

Para Assis, há confusão entre crítica legítima e crime. A percepção é alimentada por experiências reais e mostra uma leitura superficial sobre direitos civis.

Educação como caminho

A pesquisadora Sara Clem aponta a educação como solução para reduzir autocensura. Disse que é preciso difundir conceitos de democracia e diálogo, para que as pessoas aceitem discordar sem perder o direito de pensar diferente.

Assis reforça: a democracia é regime do dissenso. Sem tolerância à discordância, não há democracia. O estudo sinaliza necessidade de políticas públicas que promovam o debate civilizado.

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