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Câmara recebe pesquisa sobre percepção da corrupção no setor de saúde

Pesquisa aponta que 66,8% veem corrupção na saúde como alta; resultado subsidia debate na Câmara sobre governança e transparência

Imagem de médico segurando um estetoscópio - Metrópoles
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  • A pesquisa aponta que 66,8% dos entrevistados classificam a corrupção na saúde como alta; 21,5% a veem como moderada.
  • O estudo aponta percepção de problema nas instituições públicas em 92,5% e nas privadas em 88,4%.
  • Realizado pela FGVethics e pela FGV Saúde, em parceria com o Instituto Ética Saúde, o levantamento ouviu 987 representantes da cadeia da saúde.
  • Entre os relatos, há favorecimento em contratações, conflitos de interesse, influência na prescrição de medicamentos, exames e procedimentos desnecessários, além do receio de denunciar irregularidades.
  • O debate na Câmara, promovido pela Frente Parlamentar Mista da Saúde, destacou a necessidade de fortalecer governança, transparência e mecanismos de integridade no setor.

A Câmara dos Deputados recebeu, nesta quarta-feira (3/6), a apresentação dos resultados de uma pesquisa sobre a percepção da corrupção na saúde. O estudo aponta que 66,8% dos entrevistados consideram a corrupção no setor como alta, e 92,5% percebem o problema nas instituições públicas, 88,4% nas privadas.

A pesquisa Indicadores da Percepção da Corrupção no Setor da Saúde foi desenvolvida pela FGVethics e pela FGV Saúde, em parceria com o Instituto Ética Saúde (IES). Foram entrevistados 987 representantes da cadeia da saúde, incluindo profissionais, indústria, operadoras, reguladores e usuários.

Os responsáveis pela apresentação técnica foram a professora Ligia Maura Costa, da FGVethics, e a equipe da FGV Saúde. O estudo combina indicadores de percepção com relatos de experiências para ampliar a compreensão do fenômeno da corrupção no setor.

A pesquisa aponta que 66,8% classificam a corrupção como alta e 21,5% como moderada. Na prática, quase nove em cada dez participantes veem a corrupção como problema relevante no setor.

Segundo Ligia Maura, os resultados revelam fragilidades institucionais, mas indicam caminhos para fortalecer governança, transparência, prestação de contas e integridade na saúde.

Entre as situações relatadas estão favorecimento em contratações, conflitos de interesse, influência indevida na prescrição de medicamentos, exames e procedimentos desnecessários, além do receio de denunciar irregularidades.

A pesquisa também aponta que 63,6% dos participantes já vivenciaram, testemunharam ou tomaram conhecimento de situações de corrupção na saúde.

Debates na Câmara

Promovido pela Frente Parlamentar Mista da Saúde, o evento ocorreu no Salão Nobre da Câmara. Parlamentares, órgãos públicos, entidades do setor, pesquisadores e lideranças civis estiveram presentes.

O presidente da Frente, deputado Dr. Zacarias Calil, destacou que a corrupção na saúde extrapola prejuízos financeiros e atinge o atendimento à população, gerando filas, atrasos e desconfiança.

Para os organizadores, os resultados evidenciam a necessidade de fortalecimento de transparência, governança e controles ao longo da cadeia da saúde.

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