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Congressistas dos EUA cobram ação contra o Brasil por PL sobre big techs

Carta pede que governo Trump trate com prioridade projeto que endurece legislação para grandes empresas de tecnologia

Vista de baixo para cima da fachada do Capitólio dos Estados Unidos, com colunas brancas, cúpula central e bandeira americana, sob céu azul com nuvens.
Fachada do Capitólio, sede do Congresso dos Estados Unidos, em Washington. Crédito: Reprodução/Unsplash

Um grupo de 20 congressistas republicanos dos Estados Unidos enviou carta ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) pedindo uma nova ação do governo americano contra o Brasil. O motivo da solicitação é o PL 4675/2025, projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados e propõe alterar regras de concorrência para […]

Um grupo de 20 congressistas republicanos dos Estados Unidos enviou carta ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) pedindo uma nova ação do governo americano contra o Brasil.

O motivo da solicitação é o PL 4675/2025, projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados e propõe alterar regras de concorrência para mercados digitais, ampliando poderes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre as big techs.

A carta, encaminhada na quinta-feira (23), foi endereçada ao representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O documento foi encabeçado pelos deputados Adrian Smith, presidente da Subcomissão de Comércio do Comitê de Ways and Means, e Jim Jordan, presidente do Comitê Judiciário da Câmara americana. Outros 18 parlamentares republicanos assinam o texto.

Os signatários afirmam que o projeto brasileiro replica de forma deliberada as regras da DMA (Digital Markets Act), legislação da União Europeia sobre concorrência digital, e que a medida impõe um regime regulatório considerado oneroso às empresas digitais americanas. Por isso, pedem que o USTR trate o PL como prioridade nas negociações comerciais com o Brasil.

A carta foi enviada no mesmo dia em que os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. A sobretaxa atinge países que, segundo apuração dos EUA, incentivam trabalho forçado, entre eles o Brasil.

Semanas antes, o governo americano havia imposto outra tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras, decorrente da investigação sobre supostas práticas desleais adotadas pelo Brasil no comércio internacional.

O que a carta diz sobre os efeitos do PL

Os parlamentares argumentam que a norma, se aprovada, permitiria a reguladores brasileiros forçar mudanças nos modelos de negócio de empresas americanas. Também afirmam que a lei poderia obrigar essas companhias a abrir mão de parte da receita, a dar acesso a tecnologia proprietária e a abrir suas plataformas a terceiros.

Ainda segundo os congressistas dos EUA, a medida poderia levar à cessão de propriedade intelectual, gerando custos bilionários às empresas e limitando a capacidade de inovação e investimento das companhias americanas no exterior.

A carta cita o memorando de 2025 sobre defesa de empresas e inovadores americanos contra multas e penalidades consideradas injustas no exterior como uma das bases da política adotada pelo governo Trump no tema.

Seção 301 e tarifas

Os republicanos mencionam a investigação da Seção 301 conduzida pelo USTR, que resultou nas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo eles, a apuração identificou políticas brasileiras prejudiciais à competitividade de empresas de comércio digital americanas. A carta cita multas e ordens de suspensão contra plataformas digitais, além de vantagens concedidas a provedores estatais de serviços de pagamento digital no Brasil.

Na carta, os parlamentares dizem considerar preocupante que o Brasil busque ampliar o que chamam de políticas discriminatórias justamente no momento em que as medidas ligadas à investigação da Seção 301 estão sendo finalizadas, em vez de negociar diretamente com o governo americano para resolver as divergências.

Situação do projeto no Congresso brasileiro

O PL 4675/2025 amplia os poderes do Cade sobre as big techs. O texto cria a Superintendência de Mercados Digitais dentro do órgão e permite que ele designe como “de relevância sistêmica” as empresas de tecnologia com faturamento acima de R$ 50 bilhões no mundo ou R$ 5 bilhões no Brasil.

Uma vez designadas, essas empresas podem ser obrigadas pelo Cade a dar mais transparência sobre critérios de cobrança e ranqueamento, a parar de favorecer os próprios produtos em detrimento de concorrentes, e a garantir interoperabilidade e portabilidade de dados para os usuários.

O governo argumenta que a proposta busca prevenir abusos de poder econômico por parte de grandes plataformas digitais, seguindo o exemplo de países como Alemanha, Japão e Reino Unido.

O texto foi enviado ao Congresso pelo Poder Executivo em setembro de 2025. O deputado Aliel Machado foi designado relator um mês depois, e o pedido de urgência para a votação foi aprovado em Plenário em março de 2026. Em julho, Machado apresentou parecer preliminar e o projeto passou a constar como pronto para pauta, aguardando despacho do presidente da Câmara.

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