- Flávio Bolsonaro precisará apresentar uma agenda econômica, segundo a cientista Lara Mesquita, para ganhar credibilidade junto ao eleitorado.
- A eleição de 2026 exige um plano concreto em economia, saúde e segurança, diferente do que ocorreu em 2018.
- O Congresso passou a ter mais poder sobre o Orçamento, dificultando ações rápidas do Executivo.
- A economia segue sendo o principal critério de avaliação, já que a memória do eleitor é de curto prazo em relação a fatos econômicos.
- A segurança pública, embora relevante, pode não ser suficiente sozinha para sustentar uma candidatura, sendo preciso combinar propostas de crescimento, emprego, inflação e contas públicas.
A disputa presidencial de 2026 pode impor um desafio diferente a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do que o enfrentado por seu pai, em 2018. Enquanto Jair Bolsonaro chegou ao Planalto perseguindo rejeição ao PT e discurso anticorrupção, o cenário atual exige algo mais concreto.
A avaliação é da cientista política Lara Mesquita, da FGV. Ela afirma que o principal obstáculo de Flávio não é apenas a máquina pública ou o desgaste do governo, mas apresentar um plano de governo que responda a questões econômicas e sociais futuras.
Durante o Mapa de Risco, programa do InfoMoney, nesta sexta-feira (5), Mesquita observou que houve uma mudança estrutural na política brasileira. O Congresso ampliou o controle sobre o Orçamento por meio de emendas, compressando a margem de manobra do Executivo.
O desafio de apresentar uma agenda
Para a pesquisadora, há diferença entre a posição de Lula, hoje na presidência, e a de Flávio Bolsonaro. Enquanto o presidente pode mostrar programas e resultados, o senador precisa convencer o eleitor de que seria capaz de governar um cenário cada vez mais complexo.
Quem governa parte com vantagem natural, segundo ela, tende a ter vantagem na eleição. A percepção de melhoria econômica ou de benefícios já construídos pode favorecer quem está no poder.
O foco em manter a popularidade depende também da avaliação dos eleitores sobre a economia nos meses que antecedem a eleição. Estudos citados por Mesquita indicam que a memória econômica é de curto prazo, o que pode favorecer ações de curto prazo do governo em ano eleitoral.
O peso da economia
Especialistas apontam que a economia continuará sendo o principal critério de avaliação. A boa ou má percepção econômica no fim do mandato costuma pesar mais do que debates sobre temas secundários.
Mesquita ressalta que a percepção nos últimos seis meses antes da eleição tem peso significativo na decisão de voto. Isso ajuda a entender a estratégia de ações de renda, crédito e consumo próximas ao pleito.
Por outro lado, a oposição precisa apresentar propostas consistentes de crescimento, emprego, inflação e contas públicas para justificar a troca de governo caso a avaliação econômica não seja favorável.
A análise sugere que, embora a segurança pública seja tema relevante para a direita, não é suficiente para sustentar uma candidatura presidencial competitiva. A eleição de 2026 tende a depender de uma combinação de fatores econômicos, sociais e fiscais.
Segundo a especialista, o diferencial entre 2018 e 2026 está justamente na capacidade de governar. Flávio Bolsonaro ainda precisa demonstrar ao eleitor o que pretende fazer caso chegue ao Planalto.
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