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MPF acusa produtores de intoxicar indígenas com agrotóxicos em Rondônia

MPF acusa produtores de soja de intoxicar indígenas Puruboró em Rondônia; contaminação atinge o Rio Manoel Correia, provocando lesões, deslocamento de moradores e danos ambientais

Foto: Comunicação/MPF
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  • O Ministério Público Federal acionou dois produtores de soja e um proprietário rural em Seringueiras, Rondônia, por contaminar indígenas Puruborá com agrotóxicos.
  • A ação aponta contaminação no Rio Manoel Correia, com mortandade de peixes e prejuízos à subsistência da comunidade da aldeia Aperoí, após pulverizações próximas.
  • Investigações indicam abertura de valas de drenagem sem autorização em áreas de preservação permanente, despejando água contaminada em cursos d’água que deságuam no rio.
  • Laudos da Idaron e da Sedam identificaram irregularidades ambientais e resíduos de defensivos, incluindo fosfeto de alumínio, com cerca de 12% dos agrotóxicos em níveis de toxicidade elevados.
  • O MPF solicita indenizações somando R$ 2 milhões de danos morais coletivos, R$ 30 mil por morador da aldeia e R$ 100 mil por integrante da família que abandonou a residência, além da proibição de novas pulverizações e do plantio de soja na área.

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública contra dois produtores de soja e um proprietário rural, acusados de contaminar a etnia Puruborá e o Rio Manoel Correia em Seringueiras, interior de Rondônia. A ação pleiteia indenizações por danos morais e ambientais, além de medidas reparatórias.

Segundo o MPF, crianças, adultos e idosos da aldeia Aperoí apresentaram lesões na pele, dores de cabeça e náuseas após pulverizações realizadas em uma propriedade vizinha. A família chegou a deixar a residência devido à exposição contínua a agrotóxicos.

A vítima principal são moradores da aldeia, que dependem do Rio Manoel Correia para consumo e alimentação. A contaminação é associada à abertura de valas de drenagem sem autorização ambiental, com despejo de água contaminada em cursos d’água que deságuam no rio.

Relatórios técnicos identificaram irregularidades ambientais na área. A Idaron concluiu que a propriedade não possui adequação ambiental para cultivo de soja e sugeriu uso alternativo, como sistemas agroflorestais ou culturas orgânicas como cacau e cupuaçu.

Entre os agrotóxicos encontrados, constam resíduos de herbicidas e fosfeto de alumínio, substância de toxicidade elevada. Aproximadamente 12% dos produtos identificados apresentavam alto grau de toxicidade, conforme laudos oficiais.

Medidas e pleitos do MPF

O MPF busca a condenação dos réus ao pagamento de indenizações. São mencionados:

  • R$ 2 milhões por danos morais à comunidade Puruborá;
  • R$ 30 mil para cada morador da aldeia Aperoí;
  • R$ 100 mil para cada integrante da família que abandonou a residência.

A ação também requer a proibição de novas pulverizações e do plantio de soja na área, além da recuperação integral das áreas degradadas de preservação permanente.

O MPF sustenta que as ações de pulverização ocorrem em um contexto de pressão sobre os Puruborá, que reivindicam demarcação de território tradicional. A acusação aponta escalonamento de ataques à comunidade mesmo após notificações e autuações.

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