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Especialistas criticam decisão de Nunes Marques que suspendeu Atlas

Especialistas criticam decisão de Kassio Nunes Marques de suspender AtlasIntel, chamando-a de censura e apontando risco para a divulgação de pesquisas

João Francisco Meira, presidente do Conselho de Opinião Pública da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), afirma que decisão de Kassio Nunes Marques é ‘inconstitucional’ e se apoia em argumentos frágeis
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  • Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, suspendeu a pesquisa AtlasIntel, levantada por AtlasBloomberg, após pedido do Partido Liberal.
  • A Abep, representada por João Francisco Meira, classificou a decisão como censura e afirmou que não há base constitucional para suspender a divulgação de pesquisas.
  • O levantamento, divulgado em dezenove de maio, indicou quarenta e um vírgula oito por cento de intenção de voto de Flávio Bolsonaro contra quarenta e oito vírgula nove por cento de Lula em cenário de segundo turno.
  • O PL alegou que a Atlas teria induzido entrevistados negativamente ao incluir questões sobre o Banco Master e sobre conversas envolvendo Flávio Bolsonaro, o que, segundo o partido, influenciaria o resultado.
  • Especialistas dizem que a decisão cria precedente perigoso, questionam a fundamentação técnica e destacam que o áudio envolvendo Flávio Bolsonaro foi apresentado apenas no final da pesquisa, não afetando as perguntas eleitorais.

O presidente do Conselho de Opinião Pública da Abep, João Francisco Meira, classificou a decisão de Kassio Nunes Marques de suspender a pesquisa AtlasIntel como censura, indicando que não há base constitucional para suspender publicações de pesquisas. Ele afirma que a medida é inconstitucional e fere a liberdade de divulgação de dados.

Meira, cofundador da Vox Populi, enfatiza que a pesquisa já era de domínio público e destaca que o argumento utilizado é fraco. Em entrevista ao Estadão, ele destaca a falta de previsão constitucional para suspender pesquisas e aponta prejuízos éticos e normativos.

O levantamento AtlasIntel indicou, antes da suspensão, que Flávio Bolsonaro apresentava 41,8% de intenção de voto contra 48,9% de Lula em cenário de eventual segundo turno. A decisão do TSE foi tomada após pedido do PL, que contestou possíveis vieses na pesquisa ligados a supostos impactos de um áudio envolvendo o senador.

Contexto do caso

O áudio entre Flávio Bolsonaro e o financista Daniel Vorcaro, revelado pelo Intercept Brasil, trataria de recursos para financiar um filme. O PL sustenta que a AtlasIntel induziu entrevistados a interpretar negativamente o senador, mencionando ainda cenas associadas ao escândalo do Banco Master.

Segundo Meira, as perguntas de intenção de voto aparecem no início do questionário, e perguntas sobre o Banco Master surgem apenas na sequência, o que, na visão dele, afasta a ideia de influência decorrente de conteúdos posteriormente apresentados. O áudio aparece ao final da pesquisa, segundo a avaliação do debate público.

Para o presidente da Abep, a suspensão é inoportuna e fora de contexto, representando uma forma de censura que poderia impactar a confiança no processo eleitoral. Ele ressalta a necessidade de respeitar a liberdade de divulgação de dados e a transparência metodológica.

Avaliações técnicas e impactos

Especialistas apontam que a decisão pode estabelecer um precedente perigoso ao questionar a neutralidade de perguntas sobre temas políticos. Pesquisadores destacam que é comum o uso de perguntas sobre acontecimentos recentes para entender impactos informacionais na opinião pública.

Oswaldo Amaral, da Unicamp, descreve a decisão como tecnicamente frágil e como censura potencial, especialmente na reta final das eleições. Outro especialista, Raphael Nishimura, ressalta que o áudio não deveria contaminar as respostas, pois o levantamento avalia cenários distintos, com perguntas separadas.

Nishimura sustenta que a decisão carece de fundamentação técnica e pode frear a condução de pesquisas que avaliam repercussões de eventos atuais. Ele também entende que dizer que as perguntas extrapolam a neutralidade seria uma crítica inadequada à prática comum do setor.

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