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Governo suspende vacina contra dengue do Butantan por reações adversas

Governo suspende temporariamente vacina do Butantan contra dengue após 42 reações graves; três casos graves, incluindo dois óbitos, são investigados

Butantan-DV é a primeira vacina do mundo em dose única capaz de proteger contra os quatro sorotipos do vírus da dengue
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  • O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a estratégia de vacinação com a vacina contra dengue do Instituto Butantan, após identificar 42 episódios de reações adversas graves.
  • Cerca de 500 mil doses já tinham sido aplicadas; entre elas ocorreram as 42 reações graves associadas ao momento da vacinação, algumas inesperadas nos estudos clínicos.
  • Casos graves investigados incluem três ocorrências, com dois óbitos ainda em avaliação; não há comprovação de causalidade entre a vacina e as mortes até o momento.
  • A suspensão afeta profissionais da atenção primária à saúde e estratégias em Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Ibaranguá (CE) e região do Araguaia (TO); as doses permanecem armazenadas para futuras análises.
  • Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária e Butantan vão aprofundar as investigações, avaliando fatores de risco, armazenamento e aplicação das doses, mantendo a vacinação como ferramenta após o fim das investigações.

O Ministério da Saúde suspendeu, nesta segunda-feira (8), temporariamente a estratégia de vacinação com a vacina contra dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão acompanha a identificação de 42 episódios de reações adversas graves pelo sistema de vigilância pós-vacinação. A medida foi anunciada pelo ministro Alexandre Padilha.

A suspensão afeta a vacinação de profissionais da atenção primária em todo o país. Também alcança as campanhas em Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Ibaranguá (CE) e a região do Araguaia, no Tocantins. Aproximadamente 500 mil doses já haviam sido aplicadas até o momento da identificação dos casos.

Casos e avaliação de risco

Entre os 42 relatos, três são graves, incluindo dois óbitos, ainda em apuração. Não há comprovação de relação de causalidade entre a vacina e as ocorrências, segundo o Ministério. A vigilância continua monitorando os dados para confirmar ou refutar vínculos.

A taxa observada é de cerca de oito casos graves a cada 100 mil doses aplicadas. O ministro enfatizou que a medida é preventiva e visa aprofundar as investigações com a Anvisa e o Butantan, sem descartar as vacinas já distribuídas.

Procedimentos e orientações

O Ministério da Saúde promoverá reuniões com gestores estaduais e municipais para orientar a interrupção da vacinação e apresentar uma nota técnica com recomendações. Enquanto durar a investigação, as doses permanecem armazenadas nas redes de frio.

Pessoas já vacinadas continuam protegidas contra os quatro sorotipos da dengue, segundo dados de eficácia. O acompanhamento de vacinados nos últimos 21 dias será mantido para detectar sinais de alerta ou reações adversas.

Investigações em curso

A suspensão tem caráter preventivo e permitirá avaliação aprofundada dos 42 episódios, possíveis fatores de risco comuns e aspectos logísticos de armazenamento, transporte e aplicação. A decisão foi aprovada por consenso pelo Comitê Nacional de Farmacovigilância e pelo CTIA.

Cobertura vacinal e panorama da dengue

Padilha destacou que, em 2025, o Brasil atingiu a maior cobertura vacinal dos últimos nove anos, acima de 90%. Também houve queda expressiva nos impactos da dengue: nos primeiros meses de 2026, foram 97% menos óbitos e 92% menos casos em comparação com 2024. Mesmo com os avanços, a dengue permanece desafio de saúde pública e a vacinação continuará a ser estratégica após as investigações sobre a vacina do Butantan.

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