- Imigrantes africanos na África do Sul dizem viver com medo após protestos anti-imigração que reacenderam o sentimento xenófobo no país; o grupo March & March deu prazo até 30 de junho para os ilegais deixarem o país.
- Pelo menos três mortes foram registradas em meio aos ataques xenófobos, incluindo dois moçambicanos e um sul-africano em Mossel Bay; moradores de Kleinmond buscaram abrigo após ameaças a estrangeiros.
- Milhares de moçambicanos e pessoas de outros países, como Malawi, buscaram abrigos ou retorno às próprias nações, com a própria Gana organizando voos para retirar cidadãos.
- Pesquisas indicam queda no percentual de sul-africanos que recebem imigrantes, com desemprego em alta e desigualdade aumentando o discurso anti-imigração.
- O presidente Cyril Ramaphosa prometeu repressão mais dura à imigração ilegal e à corrupção na fiscalização de fronteiras, ressaltando que apenas autoridades estatais podem exigir documentação.
O número de imigrantes africanos residentes na África do Sul aumentou a tensão após uma série de marchas anti-imigração que reacenderam o sentimento xenófobo no país. O movimento March & March deu prazo até 30 de junho para que estrangeiros ilegais deixem o território, sem esclarecer as consequências para quem não cumprir.
Nesses protestos, participação de moradores de Moçambique e Zimbabué ficou evidente, com relatos de violência e ameaças a estrangeiros em bairros informais. Em Mossel Bay, três mortos — dois moçambicanos e um sul-africano — comprovaram os riscos de uma escalada de violência que já deixou comunidades locais em alerta.
Em Kleinmond, a cerca de 60 milhas ao sudeste da Cidade do Cabo, cerca de 100 migrantes de Moçambique e Malawi procuraram abrigo no pavilhão municipal após ameaças de expulsão por parte de uma multidão. Muitos buscam apoio para retornar aos seus países.
Contexto econômico e social
A tensão decorre de altos índices de desemprego e desigualdade, fatores que alimentam o sentimento contra imigrantes. Pesquisas da Human Sciences Research Council indicam queda no percentual de sul-africanos que acolhem imigrantes, que caiu de 25% em 2020 para 15% no ano passado. A taxa de desemprego subiu para 43,1% no primeiro trimestre de 2026.
Lideranças de organizações de direitos humanos alertam que a violência contra migrantes cresce quando há insatisfação econômica. A Publicidade de campanhas de protestos mostra adoção de medidas duras por parte de movimentos civis, com apoio de figuras públicas locais.
Reação governamental e situação atual
O governo sul-africano tem anunciado medidas para endurecer a fiscalização de fronteiras e coibir violência. O presidente Cyril Ramaphosa afirmou que não haverá tolerância com a lei e com ataques contra cidadãos estrangeiros, destacando que apenas agentes estatais podem exigir comprovação de nacionalidade.
Analistas políticos ressaltam que a situação é volátil e pode afetar a reputação de partidos que apoiem protestos anti-imigração, com riscos de distúrbios e instabilidade interna. Especialistas recomendam uma resposta firme, mas equilibrada, para evitar agravamento da violência.
Migrantes seguem em estado de incerteza, com relatos de medo diário. Um comerciante de Joanesburgo, residente há anos, afirmou à imprensa local a preocupação com o futuro e o estresse provocado pela situação, destacando a necessidade de proteção e de soluções duradouras.
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