- A Polícia Federal vê a segunda delação de Vorcaro como fraca e deve se concentrar em depoimentos de outros investigados da Operação Compliance Zero.
- A primeira expectativa vinha do ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, preso desde 16 de abril, que escreveu os anexos na cadeia.
- Costa afirmou em depoimento à PF que cobrou Vorcaro por informações sobre a Tirreno; o Master teria usado a empresa em operações bilionárias com o BRB.
- Outros presos que podem ajudar a PF incluem Fabiano Zettel, Henrique Vorcaro, Felipe Cançado, Daniel Monteiro, Anderson da Silva Lima e David Henrique Alves.
- As duas delações de Vorcaro foram consideradas frágeis; o tempo desde o início do inquérito atrapalhou e as informações ainda não são claras, com dados já extraídos dos celulares.
Foi anunciada a possível segunda delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cuja validade ainda depende de aval da Polícia Federal (PF). Investigadores avaliam se vão acolher a colaboração diante de dúvidas sobre o conteúdo e novidades.
A PF planeja concentrar esforços em depoimentos de outros investigados e na colaboração de ex-funcionários do BRB, além de manter as informações já obtidas na investigação. As novas informações devem orientar o desmembramento do caso da fraude associada ao Master.
As delações de Vorcaro são consideradas frágeis pelos investigadores ouvidos pela reportagem, que apontam repetidas limitações e pouca novidade em relação aos elementos já conhecidos. A defesa sustenta que o material apresentado não acrescenta fatos relevantes.
Quem está envolvido
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, preso preventivamente desde 16 de abril, é alvo de investigações. Costa integrava a proposta de delação no contexto de compras de títulos questionáveis do Master, com supostos pagamentos em imóveis avaliados em 146 milhões de reais.
Augusto Lima, ex-sócio do Master, também é visto como peça-chave nas fraudes do inquérito que envolve Master, Tirreno, Cartus e BR. Ele foi preso na primeira fase da operação em novembro e depois solto.
Outros presos e investigados
Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é apontado como operador financeiro da organização criminosa. Henrique Vorcaro, pai de Daniel, é investigado por participação na Turma, milícia privada ligada ao banqueiro, com ocultação de patrimônio. Felipe Cançado, primo de Vorcaro, atua como operador financeiro do esquema.
Daniel Monteiro, advogado de Vorcaro, é considerado o arquiteto jurídico do grupo. Anderson da Silva Lima, policial federal, é investigado por repassar informações sigilosas da PF. David Henrique Alves, especialista em tecnologia, é visto como líder do núcleo tecnológico da Turma.
Estado atual da delação
As duas propostas de delação premiada apresentadas por Vorcaro foram avaliadas como fracas pela PF, sem novidades relevantes. A demora na atuação da investigação é mencionada como fator que dificultou o avanço.
A primeira proposta, rejeitada pela PF, era coordenada pelo advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, e foi criticada por omitir episódios graves já conhecidos pela polícia, incluindo suspeitas ligadas a Ciro Nogueira.
A segunda delação, apresentada pela defesa na semana passada, passou a ser conduzida pelo criminalista Sérgio Leonardo no fim de maio, mas continua considerada insuficiente para o andamento do inquérito.
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