- Em fevereiro, o governo dos Estados Unidos divulgou material sigiloso sobre OVNIs; em maio saiu um segundo lote com 222 documentos, incluindo relatos de esferas verdes e um vídeo de um objeto que acelera instantaneamente.
- O governo afirma que não há evidência de seres ou tecnologia extraterrestre; a maioria das imagens é de baixa qualidade, e a transparência não vem acompanhada de provas.
- O manual Joint Publication 3-13.2 descreve operações de apoio à informação militar (MISO) para influenciar emoções e comportamentos de públicos estrangeiros, incluindo planos sobre quando revelar quem está por trás da mensagem.
- História mostra que a credibilidade é crucial para funcionar; exemplos citados incluem panfletos na invasão do Panamá, desinformação iraquiana no Golfo e mensagens repetidas que influenciaram rendição de prisioneiros.
- A conclusão é que a percepção pública é moldada por narrativas; com a velocidade das redes sociais, o alcance é imediato, independentemente de provas oficiais.
Desde fevereiro, o governo dos EUA tornou público material sigiloso sobre OVNIS, com relatório, fotos e vídeos no site oficial. A estreia ocorreu durante a gestão de Donald Trump, que anunciou a possibilidade de o público decidir sobre o assunto. Em maio, foram divulgados 222 documentos adicionais.
O pacote mais recente traz 116 páginas sobre avistamentos de esferas verdes e bolas de fogo na base secreta de Novo México, entre 1948 e 1950, além de um vídeo de caça F-18 com um objeto que acelerava de modo instantâneo. A defesa manteve a posição de que não existem evidências de extraterrestres.
A divulgação levanta a questão sobre a credibilidade. Em paralelo, o governo afirma, desde 2024, que não há provas de seres ou tecnologia alienígena. A maior parte das imagens é de baixa resolução, o que contribui para a percepção de falta de provas sólidas. A apresentação visa transparência, segundo autoridades, mas sem evidência conclusiva.
O que são as psy-ops
Desde 2014, o governo norte-americano usa um manual para orientar operações de influência sobre públicos estrangeiros, conhecido como Joint Publication 3-13.2. O documento descreve como planejar mensagens que afetem emoções e comportamentos, incluindo formulários que definem quando revelar ou ocultar quem está por trás da mensagem.
A prática, chamada de MISO, já foi destacada em contextos como Vietnã, onde panfletos prometiam perdão e retorno a casa junto a ações militares, resultando na deserção de milhares de guerrilheiros. A ideia central é reforçar credibilidade para manter o público sob influência.
Casos históricos e lições
A credibilidade é chave em qualquer operação. Em 1989, na invasão do Panamá, ações sonoras extremas foram usadas para pressionar Noriega, que se refugiou na embaixada. Já no Golfo, a propaganda iraquiana tentou minar a confiança dos soldos americanos com boatos, sem sucesso. As mensagens repetidas, associadas a ações, influenciaram parte dos rendimentos de defesa inimiga.
A espionagem também recorre a narrativas visuais. Documentos da CIA descrevem que relatos de discos voadores aumentaram quando voavam aeronaves de reconhecimento a altas altitudes, usando fenômenos visuais para explicar relatos públicos. Em 2024, uma investigação do Pentágono revelou fotos falsas de OVNIs associadas a áreas sensíveis, para desviar atenção de projetos secretos.
A velocidade da disseminação
O que mudou é a velocidade de difusão. Antigamente, informações demoravam semanas para alcançar o público; hoje, um vídeo pode se tornar assunto global em horas, especialmente por meio das redes sociais. O manual MISO envolve uma cadeia de aprovação, o que hoje não é necessário para a propagação rápida de conteúdos na internet.
Em todos esses casos, não é o tema central que importa, mas o mecanismo de influência: a tendência humana de buscar confirmação de aquilo em que já se acredita. Em seguida, a narrativa se reproduz com alcance global, muitas vezes sem supervisão ou responsabilidade clara.
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