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Psy-ops: o que é real na manipulação psicológica de governos

Análise mostra que psy-ops, mesmo com segredo, moldam crenças; velocidade das redes amplifica propaganda sem necessidade de comando central

Scott Bray, da Inteligência Naval, exibe vídeo de OVNI em comissão da Câmara dos EUA em 17 de maio de 2022. (Foto: Jim Lo Scalzo/EFE/EPA)
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  • Em fevereiro, o governo dos Estados Unidos divulgou material sigiloso sobre OVNIs; em maio saiu um segundo lote com 222 documentos, incluindo relatos de esferas verdes e um vídeo de um objeto que acelera instantaneamente.
  • O governo afirma que não há evidência de seres ou tecnologia extraterrestre; a maioria das imagens é de baixa qualidade, e a transparência não vem acompanhada de provas.
  • O manual Joint Publication 3-13.2 descreve operações de apoio à informação militar (MISO) para influenciar emoções e comportamentos de públicos estrangeiros, incluindo planos sobre quando revelar quem está por trás da mensagem.
  • História mostra que a credibilidade é crucial para funcionar; exemplos citados incluem panfletos na invasão do Panamá, desinformação iraquiana no Golfo e mensagens repetidas que influenciaram rendição de prisioneiros.
  • A conclusão é que a percepção pública é moldada por narrativas; com a velocidade das redes sociais, o alcance é imediato, independentemente de provas oficiais.

Desde fevereiro, o governo dos EUA tornou público material sigiloso sobre OVNIS, com relatório, fotos e vídeos no site oficial. A estreia ocorreu durante a gestão de Donald Trump, que anunciou a possibilidade de o público decidir sobre o assunto. Em maio, foram divulgados 222 documentos adicionais.

O pacote mais recente traz 116 páginas sobre avistamentos de esferas verdes e bolas de fogo na base secreta de Novo México, entre 1948 e 1950, além de um vídeo de caça F-18 com um objeto que acelerava de modo instantâneo. A defesa manteve a posição de que não existem evidências de extraterrestres.

A divulgação levanta a questão sobre a credibilidade. Em paralelo, o governo afirma, desde 2024, que não há provas de seres ou tecnologia alienígena. A maior parte das imagens é de baixa resolução, o que contribui para a percepção de falta de provas sólidas. A apresentação visa transparência, segundo autoridades, mas sem evidência conclusiva.

O que são as psy-ops

Desde 2014, o governo norte-americano usa um manual para orientar operações de influência sobre públicos estrangeiros, conhecido como Joint Publication 3-13.2. O documento descreve como planejar mensagens que afetem emoções e comportamentos, incluindo formulários que definem quando revelar ou ocultar quem está por trás da mensagem.

A prática, chamada de MISO, já foi destacada em contextos como Vietnã, onde panfletos prometiam perdão e retorno a casa junto a ações militares, resultando na deserção de milhares de guerrilheiros. A ideia central é reforçar credibilidade para manter o público sob influência.

Casos históricos e lições

A credibilidade é chave em qualquer operação. Em 1989, na invasão do Panamá, ações sonoras extremas foram usadas para pressionar Noriega, que se refugiou na embaixada. Já no Golfo, a propaganda iraquiana tentou minar a confiança dos soldos americanos com boatos, sem sucesso. As mensagens repetidas, associadas a ações, influenciaram parte dos rendimentos de defesa inimiga.

A espionagem também recorre a narrativas visuais. Documentos da CIA descrevem que relatos de discos voadores aumentaram quando voavam aeronaves de reconhecimento a altas altitudes, usando fenômenos visuais para explicar relatos públicos. Em 2024, uma investigação do Pentágono revelou fotos falsas de OVNIs associadas a áreas sensíveis, para desviar atenção de projetos secretos.

A velocidade da disseminação

O que mudou é a velocidade de difusão. Antigamente, informações demoravam semanas para alcançar o público; hoje, um vídeo pode se tornar assunto global em horas, especialmente por meio das redes sociais. O manual MISO envolve uma cadeia de aprovação, o que hoje não é necessário para a propagação rápida de conteúdos na internet.

Em todos esses casos, não é o tema central que importa, mas o mecanismo de influência: a tendência humana de buscar confirmação de aquilo em que já se acredita. Em seguida, a narrativa se reproduz com alcance global, muitas vezes sem supervisão ou responsabilidade clara.

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