- Quatro municípios da Amazônia — Belém, Ananindeua, Abaetetuba e Oeiras do Pará — criaram o primeiro cluster municipal do Plant Based Treaty no mundo, visando levar alimentação, pecuária e sistemas alimentares ao centro das negociações climáticas.
- A iniciativa surge na esteira da COP30, realizada em Belém em 2025, e busca pressionar negociações internacionais a considerar o peso dos sistemas alimentares na crise climática.
- O Brasil é o maior exportador de carne bovina e tem o segundo maior rebanho do mundo, com 238 milhões de cabeças, segundo o IBGE, o que o movimento vê como desafio para integrar a pauta climática.
- O Plant Based Treaty defende transição para sistemas alimentares de base vegetal e pretende ampliar a participação de cidades brasileiras, com meta de chegar a vinte municípios antes da COP31, na Turquia.
- Entre as ações previstas estão mudanças em compras públicas de alimentos, incentivo a pratos vegetais em escolas e restaurantes, além de conectar produtores de agricultura familiar e promover educação e conservação da biodiversidade.
O Pará abriga o primeiro cluster municipal do Plant Based Treaty no mundo, criado após a COP30 em Belém, em 2025. Quatro municípios amazônicos defendem que alimentação, pecuária e sistemas alimentares ganhem centro nas negociações climáticas. A meta é reduzir o peso da pecuária nas emissões globais.
Belém, Ananindeua, Abaetetuba e Oeiras do Pará formam o cluster. A iniciativa global propõe a transição para dietas de base vegetal como resposta à crise climática. A aproximação acontece em meio à pressão para ampliar a influência das pautas alimentares nas conferências da ONU.
A articulação acontece em um momento simbólico para o Brasil, que busca protagonismo nas negociações climáticas após a COP30. O país é o maior exportador de carne bovina e possui o segundo maior rebanho, segundo o IBGE, com 238 milhões de cabeças.
Ações locais compõem o movimento. Prefeitos amazônicos lideram a agenda que objetiva inserir a relação entre alimentação, sistema agropecuário e emissões nas decisões internacionais. Em entrevista, Leandro Franz afirma que o cluster fortalece o Plant Based Treaty no Brasil.
A alimentação e a crise climática
Dados do SEEG citados pelo movimento apontam que a pecuária brasileira representa cerca de metade das emissões diretas e indiretas do país, incluindo desmatamento e fermentação entérica. O agronegócio, com o desmatamento, soma aproximadamente 74% das emissões brutas.
A organização sustenta que o rebanho bovino colocaria o Brasil entre os maiores emissores do planeta, caso fosse um país. Segundo o Plant Based Treaty, a pecuária estaria ligada a cerca de 80% do desmatamento na Amazônia, com base em dados do WWF. Documentos oficiais da ONU ainda tratam o tema de forma periférica.
Para Franz, a crise climática afeta mais fortemente comunidades vulneráveis. O objetivo do cluster é pressionar para que a relação entre alimentação e clima passe a integrar decisões da COPs, com prefeitos liderando a agenda.
O que muda nas cidades?
Além de simbolismo, o acordo prevê ações concretas nos municípios. Cada cidade pode adotar cerca de 40 medidas sugeridas pela iniciativa, incluindo mudanças em compras públicas, pratos vegetais em escolas e restaurantes populares, e revisão de cardápios institucionais.
Priorizam-se pratos sustentáveis em instituições públicas, com ações educativas e integração com produtores da agricultura familiar. A Universidade Federal de Jataí, em Goiás, aderiu ao tratado, comprometendo-se a revisar o restaurante universitário e promover debates sobre sistemas alimentares.
Pressão sobre as COPs
A delegação brasileira do Plant Based Treaty pretende apresentar o caso do cluster amazônico à Bonn SB64, conferência climática intermediária da ONU, na Alemanha, em junho. O objetivo é incluir linguagem específica sobre alimentação e sistemas alimentares nas decisões da convenção.
O movimento soma mais de 260 mil apoiadores, quatro mil organizações e nomes de peso da ciência e cultura, como Paul McCartney, Jane Goodall e Carlos Nobre. A iniciativa encontra resistência em setores ligados ao agronegócio no Brasil.
Para os representantes, a discussão deve sair do embate direto com a pecuária e avançar para uma transição e diversificação alimentar. O trio de pilares envolve parar a expansão, redirecionar subsídios para sistemas plant-based e restaurar ecossistemas degradados.
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