- O ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União, disse que o fim da escala 6 X 1 pode reduzir a rentabilidade das empresas, aumentar a informalidade e agravar o deficit previdenciário, que foi superior a R$ 400 bilhões em 2024.
- Segundo ele, a mudança pressionaria o emprego formal, exigiria mais trabalhadores com menor rentabilidade e poderia estimular a pejotização, elevando custos para o empresário e inflação.
- Nardes também criticou a governança do governo e citou que há R$ 22 bilhões em recursos da Cultura sem prestação de contas. Ele afirmou falta de um centro de governo na Casa Civil.
- O ministro participa, nesta quarta-feira, do julgamento das contas de 2025 do governo Lula e pretende focar em governança pública e sustentabilidade da Previdência; comentou estar preparando uma resolução sobre a reforma tributária.
- Em relação a Brasília, o ministro citou problemas de governança e mencionou que já havia alertado sobre falhas na gestão, incluindo casos envolvendo o BRB e o Banco Master, além de crítica à condução da saúde e da transparência no governo local.
O ministro do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes, afirmou que o fim da escala 6 X 1 pode elevar custos das empresas, aumentar a informalidade e agravar o déficit da Previdência. A entrevista foi concedida ao Poder360.
Nardes destacou que a mudança pressionaria a capacidade de geração de negócios, reduzindo a rentabilidade e favorecendo contratações informais. Ele já apontou deficit superior a R$ 400 bilhões para a Previdência em 2024.
O ministro participa, nesta quarta-feira, do julgamento das contas do governo federal referente a 2025. O relator é Benjamin Zymler, e a avaliação deve abordar governança pública e sustentabilidade da Previdência.
Segundo Nardes, a regulamentação tributária em estudo exige atuação da Corte para acompanhar a futura distribuição de recursos. Ele mencionou estar preparando uma resolução para orientar a condução do processo.
Em relação a recursos sem prestação de contas, o ministro citou R$ 22 bilhões em gastos do Ministério da Cultura sem devida justificativa. Afirmou ter tentado avançar regras de governança, com pouco sucesso, e citou a necessidade de um centro de governo na Casa Civil.
Sobre a operação entre BRB e Banco Master, Nardes disse que já havia indícios de problemas, mas ficou surpreso com a dimensão. Afirmou ainda que a governança é essencial para o funcionamento do Estado e citou impactos na sociedade caso não seja aprimorada.
A entrevista também trouxe relatos sobre a fiscalização da saúde em Brasília. Nardes afirmou que há falhas de gestão, filas para exames e subutilização de orçamento, com necessidade de maior capacidade de execução dos recursos.
A filha do ministro, Cristiane Nardes, foi secretária de Governança e Compliance no Distrito Federal e acabou demitirida após tentativas de implantar regras de transparência. O episódio foi citado pelo ministro como parte de um legado de governança.
Questionado sobre eleições de 2026, Nardes sugeriu debate entre candidatos para o TCU, destacando o papel do tribunal na concessões de obras, ferrovias, rodovias e energia. Ele ressaltou a importância de fortalecer a governança para reduzir desvios.
Sobre sua trajetória, o ministro afirmou ter ajudado a criar a Lei do Simples e ressaltou a importância de indicadores para acompanhar resultados. Ele afirmou que a governança deve orientar decisões de gestores em todos os níveis.
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