- O senador Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao STF a abertura de investigação contra o presidente Lula por possível ameaça e incitação ao crime, após a fala de Lula sobre “forca para traidores da pátria”.
- A declaração foi feita durante a inauguração do Campus Catalão do Instituto Federal Goiano, ao comentar o encontro de Flávio com o presidente dos Estados Unidos e a possibilidade de tarifas sobre produtos brasileiros.
- A defesa de Flávio sustenta que Lula afirmou, para todo o país, que o senador seria traidor e, ao rememorar um episódio histórico, sugeriu que traidores merecem ser enforcados.
- Os advogados citam atentados políticos recentes e afirmam que a retórica pode estimular violência contra o senador.
- A Presidência não se manifestou até a publicação; o Valor não conseguiu obter resposta da Secretaria de Comunicação Social.
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) abertura de investigação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por suposta ameaça. A solicitação acontece após Lula ter feito uma referência, durante evento, a enforcamento de traidores da Pátria, em tom que a defesa de Flávio classifica como ameaça e incitação ao crime. O episódio ocorreu no início do mês, em Goiânia.
A defesa do parlamentar sustenta que Lula, ao mencionar que traidores merecem punição, incluiu Flávio Bolsonaro entre os que poderiam sofrer consequências violentas por defender interesses de interlocutores estrangeiros. O pedido ao STF aponta risco de estímulo à violência política e cita eventuais impactos na segurança do senador. Os advogados enfatizam que as declarações, divulgadas em rede nacional, teriam validade pública de apologia à violência.
Lula havia comentado, na ocasião, o encontro de Flávio com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a suposta ameaça de tarifação de produtos brasileiros anunciada por Washington. O presidente também fez críticas a filhos de Jair Bolsonaro, chamando-os de traidores da Pátria e vendilhões, sem mencioná-los nominalmente.
Segundo a peça encaminhada aos ministros, as afirmações de Lula podem ter contribuído para aumentar a percepção de que a violência política é aceitável, citando ainda um histórico de atentados contra autoridades. Os advogados destacam que a retórica pública pode estimular ações violentas entre diferentes espectros ideológicos.
A Presidência da República foi contatada pela reportagem, mas não houve resposta até o fechamento desta edição. O STF ainda não se manifestou sobre o recebimento ou andamento do pedido de apuração contra Lula. O caso envolve, portanto, uma disputa entre defesa de Flávio Bolsonaro e alegações do presidente, com foco em eventual uso de violência política e nos limites da liberdade de expressão.
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