- PF e CGU suspeitam que João Carlos Mansur, dono da Reag Investimentos, tenha atuado na lavagem de dinheiro no esquema de respiradores do Consórcio do Nordeste, em 2020, presidido pelo então governador da Bahia, Rui Costa.
- A Hempcare foi contratada por R$ 48 milhões para fornecer respiradores; o dinheiro não foi recuperado e a empresa não entregou os equipamentos.
- A PF e a CGU apontam que R$ 5 milhões teriam passado por Copaca e Gespar, chegando a fundos da Reag, para ocultar a origem e o destino do dinheiro desviado.
- Um lobista, Fernando Galante, teria atuado como facilitador político, recebendo R$ 9,4 milhões da Hempcare; ele não foi localizado pela reportagem.
- A Procuradoria-Geral da República pediu que o inquérito retorne ao Supremo Tribunal Federal, devido a indícios de ocultação continuada durante Rui Costa na Casa Civil, o que indicaria foro privilegiado.
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) investigam o empresário João Carlos Mansur, dono da Reag Investimentos, e dois fundos da gestora por suposta lavagem de R$ 5 milhões vinculados à venda de respiradores ao governo do Nordeste em 2020. O esquema envolve o Consórcio do Nordeste, liderado pelo então governador da Bahia, Rui Costa, hoje ministro do governo Lula. A compra foi de R$ 48 milhões.
Segundo as apurações, Mansur atuou como operador financeiro de um lobista da empresa contratada para o fornecimento dos equipamentos. A Hempcare, responsável pelo contrato, não entregou os respiradores e o dinheiro não foi recuperado. A PF investiga se houve pagamento de propina a agentes públicos.
A CGU aponta que o dinheiro desviado passou por empresas de fachada e fundos controlados pela Reag. A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou que o caso volte ao STF, depois de levantar indícios de ocultação de recursos durante o período em que Rui Costa ocupava a Casa Civil, o que pode indicar foro privilegiado.
Investigações e indícios
Documentos obtidos pelo Estadão indicam que Fernando Galante atuou como facilitador político e recebeu R$ 9,4 milhões da Hempcare. Ele não foi localizado pela reportagem. Parte do repasse foi intermediada pela Gespar, empresa vinculada a Galante, segundo as apurações da PF.
A Copaca, ligada a Mansur, teria recebido parte dos recursos e repassado para fundos da Reag, em operação que ocorreu entre abril e maio de 2020. A PF descreveu fortes indícios de ilicitude ao analisar o fluxo financeiro envolvendo Copaca, Gespar, Reag e outros veículos de investimento, sem chegar a uma empresa efetivamente envolvida na compra dos respiradores.
O caso envolve ainda trechos de contratos de gaveta entre Mansur e Galante, que previam atuação conjunta na venda de testes de covid-19 e no relacionamento com laboratórios e hospitais. As apurações seguem para esclarecer o destino final dos valores e a participação de cada parte no esquema.
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