Em Alta Copa do Mundo NotíciasPessoasAcontecimentos internacionaisPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Celina afirma que a honra masculina tem contribuído para matar mulheres

Estudo inédito no DF aponta que 11,4% dos homens admitem empurrar ou segurar a companheira; agressões são justificadas pela honra masculina

Pesquisa inédita investiga o que leva homens a matarem mulheres no DF - (crédito: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília)
0:00
Carregando...
0:00
  • Panorama da Violência Contra as Mulheres no Distrito Federal, estudo inédito do IPEDF com apoio da Secretaria da Mulher e da Governadoria, foi apresentado em 12 de junho, com 5.093 pessoas ouvidas nas 35 regiões administrativas e 1.541 mulheres que detalharam vivências de agressão.
  • O levantamento indicou que 11,4% dos homens admitiram já ter empurrado ou segurado a companheira com força em momentos de nervosismo, por meio de experimento em lista sigiloso.
  • A pesquisa sobre papéis domésticos mostrou divisão tradicional: 65,6% referiram convivência com figura masculina na infância; tarefas diárias como limpar casa e banheiro foram frequentemente associadas a respostas de “nunca”.
  • A etapa qualitativa ouviu 39 homens sentenciados em regime fechado por feminicídio consumado ou tentado, explorando trajetória familiar, uso de drogas, suporte em momentos de necessidade, papéis de gênero, relação com a vítima e justificativas para o crime.
  • A governadora Celina Leão anunciou decreto para que o mapeamento seja realizado a cada dois anos no DF e afirmou que a honra masculina tem contribuído para matar as mulheres, destacando a necessidade de desmantelar estruturas machistas.

O Panorama da Violência Contra as Mulheres no Distrito Federal, estudo inédito, foi apresentado nesta sexta-feira, 12 de junho. A pesquisa mapeia as dinâmicas de gênero e as raízes da violência na capital, com foco em comportamentos masculinos e justificativas para feminicídio. O levantamento ouviu 5.093 pessoas nas 35 regiões administrativas, com 1.541 mulheres detalhando vivências de agressão.

Entre os dados, 11,4% dos homens pesquisados admitiram já ter empurrado ou segurado a companheira com força em momentos de nervosismo. A etapa quantitativa envolveu 2.221 cidadãos, reunidos para compreender padrões de comportamento. A pesquisa também aponta uma divisão tradicional de papéis domésticos, com tarefas como limpar casa e banheiro sendo realizadas por mulheres em menor frequência.

A governadora Celina Leão afirmou a importância institucional do estudo e anunciou decreto para que o mapeamento seja feito a cada dois anos no DF. A atuação busca oferecer base para políticas públicas e ações de enfrentamento de violência contra mulheres.

Metodologia e etapas do estudo

A pesquisa combinou abordagem quantitativa e qualitativa. Na parte qualitativa, 39 homens condenados por feminicídio ou tentativa de feminicídio, em regime fechado, foram entrevistados em profundidade. As entrevistas abordaram infância, consumo de substâncias, apoio em momentos de necessidade, padrões de gênero, relação com a vítima e aspectos que levaram ao crime.

Justificativas e percepções dos envolvidos

Os relatos dos detentos mostraram que muitos atribuem o crime a uma reação abrupta a desconfianças ou confirmações de infidelidade. Em alguns casos, os agressores associam a violência à proteção da honra masculina. O uso de álcool e drogas costuma ser citado como fator que atenua a responsabilidade e desloca a culpa para fatores externos.

No eixo sobre arrependimento, imagens de remorso aparecem de forma variada, com ênfase na vergonha diante dos filhos, na prisão e no impacto sobre as vidas das vítimas. Em muitos casos, há tentativa de minimizar a responsabilidade criminal, sob a alegação de ter perdido o controle.

Celina Leão destacou que a honra masculina tem contribuído para a violência contra as mulheres e reforçou a necessidade de desconstruir estruturas machistas. A governadora reiterou a importância de enfrentar as causas profundas e promover mudanças institucionais para reduzir o feminicídio no DF.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais