- Com 98,552% dos votos válidos apurados, Keiko Fujimori tem 50,051% e Roberto Sánchez 49,949%, diferença de 18.488 votos.
- A apuração peruana costuma ser lenta e sujeita a recontagens, e a declaração oficial pode demorar semanas.
- Fujimori venceu com apoio de peruanos no exterior (EUA, Japão, Espanha) e de votos na costa e região amazônica; Sánchez dominou nas regiões andinas.
- O Peru vive uma fase de instabilidade política, com presidentes destituídos por Congresso desde 2020 e reformas que criaram um regime bicameral.
- No Legislativo, a bancada de Fujimori lidera, enquanto o bloco de Sánchez fica atrás; analistas veem potencial para maior governabilidade, mas o cenário permanece incerto.
Keiko Fujimori aparece como vencedora provável da eleição presidencial peruana, em nova disputa apertada contra o esquerdista Roberto Sánchez. A apuração, lenta e sujeita a recontagens, mostrava 98,552% dos votos válidos contabilizados até a noite de sábado, com vantagem de 18.488 votos em mais de 27 milhões de eleitores.
A diferença aparece principalmente pela votação externa: nos Estados Unidos, Fujimori teve 44.400 votos contra 13.607 de Sánchez; no Japão, 7.492 a 775; na Espanha, 32.510 a 21.571. Os votos da diáspora ajudaram a consolidar a liderança da candidata conservadora.
Na atual configuração, Fujimori se apoia em votos da costa e da região amazônica, incluindo Lima, enquanto Sánchez venceu nos Andes centrais. O resultado depende de eventuais revisões, previstas para ocorrer nas próximas semanas.
A disputa ocorre em um contexto de polarização política no Peru, onde a população aponta corrupção, criminalidade e fragilidade institucional como grandes preocupações. Quatro presidentes foram destituídos desde 2020, em sua maioria envolvendo esquemas de corrupção.
A conjuntura econômica do país mostra crescimento sólido, com inflação estável, dívida pública moderada e déficit próximo de zero. Analistas destacam que a incerteza política aumenta a volatilidade macroeconômica, apesar de indicadores macro chegarem a níveis respeitáveis.
O Congresso peruano passou por reformas institucionais significativas para ampliar governabilidade. Entre as mudanças estão o regime bicameral e protocolos de impeachment mais rigorosos, que exigem maioria qualificada em ambas casas.
Segundo o BTG, as reformas devem tornar o Legislativo menos fragmentado e reduzir a frequência de crises presidenciais. A Goldman Sachs aponta condições desafiantes de governabilidade, independentemente do vencedor, com insatisfação social ainda elevada.
No plano partidário, a bancada da Força Popular, ligada a Fujimori, conquistou 41 de 130 deputados e 22 dos 60 senadores. A coalizão de Sánchez, Juntos por el Perú, ficou com 32 deputados e 14 senadores.
Na campanha, Fujimori defendia ordem, desregulamentação econômica e combate à corrupção, com forte foco na segurança pública. Sánchez priorizou um tom de centro, com apoio à indústria de mineração e renegociação de contratos estratégicos.
A quem vencer, o próximo governo terá pela frente desafios de governabilidade, reformas políticas em curso e a necessidade de manter a confiança dos mercados internos e externos. As informações sobre o desfecho podem sofrer alterações com novas contagens.
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