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Lua de Kast no Chile encerra antes de 100 dias com promessas por cumprir

Kast perde apoio em cem dias no Chile por falta de plano de segurança e de imigração; cortes de gastos agravam serviços públicos

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  • Em cem dias de governo, a aprovação de Kast caiu de 46% para 36%, e a desaprovação chegou a 53% em maio.
  • Medidas de austeridade, corte no orçamento dos ministérios e fim de subsídios de combustível impactaram serviços públicos.
  • A troca rápida de ministros de segurança e da porta-voz reflete críticas a um suposto plano não apresentado, ampliando o desgaste.
  • Pesquisas mostram 65,7% dos chilenos não enxergam um plano concreto; preocupação com segurança já era alta, com 62% citando o tema entre as principais preocupações.
  • Na imigração, a ideia de expulsão em massa é imposta, mas há limitações logísticas; governo querlei exigir informações de imigrantes, ainda sem garantia de aprovação no Senado.

O presidente do Chile, José Antonio Kast, entra hoje nos 100 dias de governo com queda acentuada de popularidade. A avaliação negativa ganhou espaço após medidas de austeridade e a falta de um plano claro para segurança e imigração.

A Critéria aponta queda de 10 pontos na aprovação entre o primeiro mês de mandato e maio. Em maio, as avaliações positivas ficaram em 37% e a desaprovação atingiu 53%.

Austeridade atingiu serviços públicos, com corte no orçamento de ministérios. A medida coincidiu com a eliminação de subsídios que promoviam o preço de combustíveis, gerando desgaste entre a população.

A rápida substituição de ministros também marcou o início do governo. A ministra da Segurança, Trinidad Steinert, foi demitida, assim como a porta-voz Mara Sedini, em 19 de maio.

Analistas destacam que as promessas de campanha não foram acompanhadas por planos bem definidos. Um plano de segurança robusto e um marco claro para imigração não ficaram perceptíveis no curto prazo.

Segurança

Kast foi eleito com discurso de lei e ordem, prometendo mais fronteiras, prisões mais profundas e maior atuação policial. No entanto, números oficiais não traduziam melhoria perceptível para o cidadão comum.

Em discurso no Congresso, o presidente afirmou que os resultados não aparecem de um dia para o outro, citando queda de homicídios entre maio do ano anterior e este. Ainda assim, críticas sobre improviso persistem.

O novo ministro da Segurança, Martin Arrau, confirmou que o governo vai trabalhar com uma base da Política Nacional de Segurança Pública herdada de um governo anterior.

Uma pesquisa quinzenal mostra que 65,7% dos chilenos não acreditam ter um plano concreto. Contribuem para a percepção de insegurança crimes de maior gravidade.

Imigração

A proposta de expulsar mais de 300 mil imigrantes irregulares foi apresentada no início do governo, mas não houve detalhamento de como seria a deportação dentro da lei e de acordos internacionais.

Especialistas apontam dificuldades logísticas para identificar e localizar imigrantes sem documentação. A gestão pública não dispõe de dados completos sobre o tema.

Kast pretende encaminhar ao Congresso um projeto que obrigue instituições a repassar informações sobre imigrantes em situação irregular, medida que enfrenta ceticismo dentro do próprio governo e pode enfrentar resistência no Senado.

Talita Tanscheit, professora de ciência política, ressalta que o setor de imigração carece de inteligência e infraestrutura para operações amplas. A crítica aponta fragilidades na máquina estatal.

Dificuldade para governar

A dificuldade de avançar em temas caros ao eleitorado revela a curva de aprendizado do governo. O Palácio de La Moneda depende de negociações no Senado, onde o governo não tem maioria.

Especialistas destacam que o partido Republicano ainda opera com estrutura centralizada em Kast, o que dificulta a tomada de decisões rápidas e a articulação interna.

Para analistas, o partido chegou ao poder com propostas ousadas, mas esbarrou na prática de governar, com ministros ainda definindo funções e estratégias.

Perspectivas

A queda de popularidade tende a persistir nos próximos meses, segundo analistas. Reduções de impostos e cortes na máquina pública devem impactar serviços. A avaliação pública pode se manter desfavorável.

Especialistas sugerem que o governo foque nas bandeiras centrais da campanha para tentar recompor apoio. Um caminho possível seria reforçar ações visíveis nas áreas de segurança e imigração.

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