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Putin e Trump: traficantes de nostalgia, diz escritor premiado

Políticos nacionalistas são traficantes do passado; o livro analisa como a memória coletiva molda utopias e políticas atuais

Capa brasileira do livro 'Refúgio do Tempo', de Gueorgui Gospodinov
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  • Gueorgui Gospodinov lança no Brasil o livro Refúgio do Tempo, vencedor do Booker Internacional, pela Estação Liberdade.
  • A obra propõe que a história pode se transformar em utopia, via uma clínica que recria ambientes da juventude para tratar Alzheimer.
  • O romance, que mistura humor e sátira política, amplia a trama para questionar mecanismos da política global contemporânea.
  • O autor aponta que políticos nacionalistas são “traficantes de nostalgia” que vendem uma memória idealizada do passado; cita Trump e Vladimir Putin entre exemplos, sem defender posições.
  • Gospodinov, de 58 anos, comenta a memória coletiva na Europa, relembra a Bulgária under regime comunista e explica o livro como uma reflexão sobre memória, propaganda e tempo.

Gueorgui Gospodinov, escritor búlgaro premiado com o Booker Internacional, lança no Brasil seu livro Refúgio do Tempo. A obra, que chegou à Estação Liberdade, reconcilia ficção ousada e memória histórica, explorando como a história pode virar utopia.

O enredo acompanha Gaustin, homem com poderes sobrenaturais, que crea ambientes de juventude para tratar Alzheimer. As salas de retroterapia se mostram tão realistas que atraem pessoas sem déficits cognitivos, expandindo a clínica por cidades e países.

Gospodinov, de 58 anos, observa que trabalhou na ideia por mais de duas décadas, retomando-a há cerca de 10 anos. Em entrevista à Folha, ele relaciona o tema ao aumento da nostalgia entre eleitores e políticos populistas.

O autor avalia que a nostalgia é alimentada pelas novas mídias, gerando um que ele chama de Alzheimer coletivo. Entre exemplos na Europa, cita figuras como Viktor Orbán e Robert Fico, e, com ressalva, Vladimir Putin fica fora por estar em outra esfera.

Contexto de lançamento e percurso literário

O livro venceu o Booker Internacional e chega ao Brasil pela editora Estação Liberdade, três anos depois do prêmio. A obra provoca reflexões sobre memória coletiva, passado versus presente e o papel da política na construção de narrativas.

Gospodinov descreve o romance como uma sequência de ideias que foge a um enredo linear, inspirando leitores que apreciam referências a Borges. Ele afirma que seu estilo busca dialogar, em vez de seguir uma linha única.

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