- Entre 2015 e maio de 2026, Belo Horizonte teve 2.608 acidentes envolvendo ciclistas, com 35 mortes na soma.
- Em 2020 houve o maior número de ocorrências (323); nos cinco primeiros meses de 2026 já são 58 acidentes.
- A prefeitura demitiu a ciclovia da Avenida Afonso Pena, alegando que corredores de grande fluxo não comportam esse tipo de infraestrutura.
- Ciclistas ingressaram com ações judiciais para tentar impedir a retirada e há campanha para levar o caso ao Tribunal de Contas do Estado.
- Especialistas destacam a necessidade de priorizar ônibus em grandes corredores e defender rotas alternativas para manter a segurança dos ciclistas, com avaliação de longo prazo.
Belo Horizonte registrou 2.608 acidentes de trânsito envolvendo ciclistas entre 2015 e maio de 2026, segundo a Sejusp. O boletim aponta que 2020 teve o maior número de ocorrências, com 323 registros.
No mesmo período, 35 ciclistas morreram na capital. O ano mais letal foi 2021, com nove óbitos. Em 2026, até maio, houve uma morte, na Rua Antônio Peixoto Guimarães, no Caiçara.
A prefeitura decidiu demolir a ciclovia da Avenida Afonso Pena, no Centro, após apontar impactos não previstos nos estudos originais. A administração afirma que a via opera com sobrecarga de tráfego e que a ciclovia ocupava 12% da largura disponível entre Praça da Bandeira e Trifana.
Apelo público e resistência
Ciclistas acionaram a Justiça para tentar impedir a retirada. O movimento Cycle Rota BH protocolou pedido de urgência e ação popular contestando a legalidade da medida. Entidades da mobilidade lançaram a campanha Tá Pago? Executa! para acompanhar o caso junto ao TCE-MG.
A análise de longo prazo sobre ciclovias é tema entre especialistas. Silvestre Andrade defende priorizar grandes corredores para ônibus e veículos de maior capacidade, com rotas paralelas para micromobilidade. A proposta visa reduzir conflitos com o trânsito motorizado.
Jacqueline Alves avalia que a ciclovia da Afonso Pena faz sentido para a mobilidade, mas aponta que a infraestrutura atual da cidade não suporta bem a convivência entre ciclistas e carros. Ela associa a baixa adesão ao risco de insegurança viária.
A prefeitura sustenta que a decisão de retirar a ciclovia levou em conta estudos técnicos, incluindo a redução de espaço disponível para veículos e a proximidade de equipamentos de saúde. A administração afirma que a presença de diversas linhas de ônibus aumenta a necessidade de manter faixas operacionais amplas.
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