- Estela Aranha é a única mulher entre os ministros titulares do Tribunal Superior Eleitoral desde sua posse em agosto de 2025.
- A ministra falou à RFI em Lisboa sobre a importância da representatividade feminina nos espaços de decisão e sobre os desafios atuais.
- Dados do TSE mostram que, entre 2016 e 2022, as mulheres ocuparam apenas 15% dos cargos conquistados nas urnas e responderam por um terço das candidaturas registradas.
- Aranha aponta aumento da violência política de gênero nas redes e enfatiza que ataques a mulheres costumam ter caráter moral, sexual e pessoal.
- A ministra também tratou da inteligência artificial generativa e de como a Justiça Eleitoral pode monitorar conteúdos, sem restringir a liberdade de expressão, para as eleições de 2026.
Estela Aranha, única mulher entre os ministros titulares do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde sua posse em agosto de 2025, concedeu entrevista à RFI em Lisboa. A conversa abordou representatividade feminina na política, violência de gênero nas redes e impactos da inteligência artificial nas eleições brasileiras. O tema central é a participação de mulheres no espaço público e no próprio TSE.
A advogada paulista é especialista em direitos digitais e já atuou como assessora da Presidência do TSE. Também exerceu funções no Ministério da Justiça, no Conselho das Nações Unidas sobre IA e na OAB. Hoje, o TSE tem sete ministros: três do STF, dois do STJ e dois juristas, indicados pelo presidente. Aranha destaca que é a única mulher entre os titulares.
Segundo dados do TSE, mulheres representam metade do eleitorado, mas permanecem sub-representadas no poder. Entre 2016 e 2022, responderam por um terço das candidaturas registradas e ocupam 15% dos cargos conquistados.
Aranha aponta que a representatividade não se resume a pautas femininas. A presença de mais mulheres nos tribunais amplia perspectivas sobre diversos temas, com influências na forma de analisar questões.
A ministra ressaltou ainda a escalada da violência política de gênero, especialmente nas plataformas digitais, que afeta principalmente mulheres jornalistas e candidatas. Os ataques costumam ter carater moral, com conteúdos pessoais gravemente ofensivos.
Essa violência pode desencorajar a participação feminina e comprometer a permanência delas em posições estratégicas. Além disso, Aranha mencionou a sobrecarga de responsabilidades domésticas que recai sobre as mulheres, limitando oportunidades de ascensão profissional.
Sobre a próxima eleição, a ministra tratou da Inteligência Artificial Generativa como desafio novo para a Justiça Eleitoral. O objetivo é conter desinformação sem cercear a liberdade de expressão e o debate político.
Antenada à prática brasileira, Aranha destacou a necessidade de monitorar conteúdos com maior rapidez e de adaptar princípios eleitorais à realidade digital, assegurando igualdade de oportunidades entre candidatos.
A entrevistada enfatizou o papel do Brasil na cooperação entre Justiça Eleitoral e plataformas digitais. A experiência brasileira tem sido observada por outros países que enfrentam desinformação e moderação durante campanhas.
Aranha afirma que a relação com as plataformas foi uma experiência relevante, hoje monitorada internacionalmente. Com a posse, a ministra reforça a ligação entre democracia, tecnologia e representatividade feminina na agenda institucional.
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