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Estela Aranha defende representatividade no TSE e denuncia violência de gênero

Estela Aranha, única mulher titular no TSE, defende mais representatividade e combate à violência de gênero, frente aos desafios da IA nas eleições de 2026

O colegiado do TSE é majoritariamente masculino, como se vê nesta foto da cerimônia de posse de Nunes Marques como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na presença do presidente Lula, em Brasília, em 12 de maio de 2026.
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  • Estela Aranha é a única mulher entre os ministros titulares do Tribunal Superior Eleitoral desde sua posse em agosto de 2025.
  • A ministra falou à RFI em Lisboa sobre a importância da representatividade feminina nos espaços de decisão e sobre os desafios atuais.
  • Dados do TSE mostram que, entre 2016 e 2022, as mulheres ocuparam apenas 15% dos cargos conquistados nas urnas e responderam por um terço das candidaturas registradas.
  • Aranha aponta aumento da violência política de gênero nas redes e enfatiza que ataques a mulheres costumam ter caráter moral, sexual e pessoal.
  • A ministra também tratou da inteligência artificial generativa e de como a Justiça Eleitoral pode monitorar conteúdos, sem restringir a liberdade de expressão, para as eleições de 2026.

Estela Aranha, única mulher entre os ministros titulares do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde sua posse em agosto de 2025, concedeu entrevista à RFI em Lisboa. A conversa abordou representatividade feminina na política, violência de gênero nas redes e impactos da inteligência artificial nas eleições brasileiras. O tema central é a participação de mulheres no espaço público e no próprio TSE.

A advogada paulista é especialista em direitos digitais e já atuou como assessora da Presidência do TSE. Também exerceu funções no Ministério da Justiça, no Conselho das Nações Unidas sobre IA e na OAB. Hoje, o TSE tem sete ministros: três do STF, dois do STJ e dois juristas, indicados pelo presidente. Aranha destaca que é a única mulher entre os titulares.

Segundo dados do TSE, mulheres representam metade do eleitorado, mas permanecem sub-representadas no poder. Entre 2016 e 2022, responderam por um terço das candidaturas registradas e ocupam 15% dos cargos conquistados.

Aranha aponta que a representatividade não se resume a pautas femininas. A presença de mais mulheres nos tribunais amplia perspectivas sobre diversos temas, com influências na forma de analisar questões.

A ministra ressaltou ainda a escalada da violência política de gênero, especialmente nas plataformas digitais, que afeta principalmente mulheres jornalistas e candidatas. Os ataques costumam ter carater moral, com conteúdos pessoais gravemente ofensivos.

Essa violência pode desencorajar a participação feminina e comprometer a permanência delas em posições estratégicas. Além disso, Aranha mencionou a sobrecarga de responsabilidades domésticas que recai sobre as mulheres, limitando oportunidades de ascensão profissional.

Sobre a próxima eleição, a ministra tratou da Inteligência Artificial Generativa como desafio novo para a Justiça Eleitoral. O objetivo é conter desinformação sem cercear a liberdade de expressão e o debate político.

Antenada à prática brasileira, Aranha destacou a necessidade de monitorar conteúdos com maior rapidez e de adaptar princípios eleitorais à realidade digital, assegurando igualdade de oportunidades entre candidatos.

A entrevistada enfatizou o papel do Brasil na cooperação entre Justiça Eleitoral e plataformas digitais. A experiência brasileira tem sido observada por outros países que enfrentam desinformação e moderação durante campanhas.

Aranha afirma que a relação com as plataformas foi uma experiência relevante, hoje monitorada internacionalmente. Com a posse, a ministra reforça a ligação entre democracia, tecnologia e representatividade feminina na agenda institucional.

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