- Com menos de 1% de atas apuradas, Keiko Fujimori está cerca de 90 mil votos à frente de Roberto Sánchez na noite desta terça-feira, 16, no Peru.
- Na segurança, Keiko defende o plano “Peru com ordem”, com redução de assassinatos em cinquenta anos e criação de quatro megaprisões, além da volta de juízes sem rosto.
- Sánchez, em mudança de tom para o centro, foca em reforma de Estado com a convocação de uma Constituinte para estabelecer um país plurinacional e reforçar a atuação policial com um sistema único de informação criminal.
- Economia: Keiko quer cortar gastos, desburocratizar e atrair investimento externo, prometendo déficit de 1% do PIB até 2031 e pelo menos US$ 5 bilhões em investimentos; Sánchez sustenta reformas de tributação progressiva e maior investimento público em tecnologia e agricultura familiar.
- Reforma do Estado: Keiko propõe digitalizar o sistema de justiça e reduzir o tempo dos processos em cerca de 30%; Sánchez propõe uma nova constituição que reconheça povos originários e reconfigure o Estado.
Na madrugada desta terça-feira, menos de 1% de atas pendentes, Keiko Fujimori e Roberto Sánchez estavam separados por cerca de 90 mil votos na eleição presidencial do Peru. A disputa, até então, coloca de um lado um projeto de país ligado à linha de seu pai, Alberto Fujimori, e do outro um caminho que propõe uma nova Constituição.
Analistas apontam que o Congresso, já com o retorno do Senado previsto para julho, deve ter influência decisiva no governo independente de quem vencer. O histórico recente do Legislativo no Peru envolve instabilidade e destituição de presidentes, reforçando essa percepção de poder residual do Parlamento.
Segurança
Keiko apresenta o plano Peru com ordem, centrado no combate à criminalidade. A candidata promete reduzir assassinatos em 20% em cinco anos e criar o Centro Nacional de Comando e Videovigilância, conectando as 24 regiões com uso de IA para prever crimes.
Entre as propostas, constam ainda a construção de quatro megaprisões de segurança máxima e a retomada de mecanismos como os conhecidos juízes sem rosto, criticados por organizações de direitos humanos. Tópicos polêmicos ganham corpo no debate.
Sánchez, por sua vez, ajustou o tom ao segundo turno, buscando atrair o centro. O programa atual privilegia a revisão de leis consideradas pró-crimes, a criação de um Sistema Nacional Integrado de Informação Criminal e a reforma policial para ampliar o combate a organizações criminosas.
Economia
Historicamente, a economia peruana se mantém estável, mas o país figura entre os mais desiguais da região. Keiko propõe cortar gastos, desburocratizar e atrair capital externo, mirando déficit em 1% do PIB até 2031 e pelo menos US$ 5 bilhões em investimento, com geração de milhões de empregos formais.
Sánchez propõe uma mudança de rumo, com controle estatal de recursos estratégicos e intervenção no Banco Central em planos anteriores, mas recuou para defender independência da instituição após o avanço no segundo turno. Mantém metas de desenvolvimento sem detalhar grandes reformas fiscais.
Reforma do Estado
No campo judicial, Keiko prioriza reforma da justiça com digitalização de procedimentos nacionais e redução do tempo processual em 30%. A ênfase é modernizar o sistema sem alterações constitucionais profundas.
Já Sánchez apoia a ideia de uma Constituinte que crie um Estado plurinacional e reconheça povos originários. A proposta representa mudança estrutural, indo além de reformas pontuais.
As propostas divergentes refletem a leitura distinta sobre segurança, economia e organização do Estado. O resultado eleitoral determinará qual eixo político conduzirá o Peru nos próximos anos.
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