- A PF enviou ao STF documentos que ligam o senador Ciro Nogueira (PP-PI) ao banqueiro Daniel Vorcaro em um suposto esquema de vantagens indevidas, após o sigilo ser retirado pelo ministro relator André Mendonça.
- A investigação aponta que Vorcaro pagava viagens internacionais, hospedagens e voos particulares para Nogueira, além de manter uma mesada entre R$ 300 mil e R$ 500 mil ao senador.
- O montante total faturado com as viagens internacionais pagas a Nogueira, estimado pela PF, é de R$ 468.721,78, com destinos como Nova Iorque, Paris, Lisboa e Courchevel.
- A PF afirma que o senador atuava como representante de Vorcaro na política, utilizando o mandato para favorecer interesses privados do banqueiro.
- O caso envolve a chamada “emenda Master” à PEC de 2023, relacionada ao aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante, cuja íntegra teria sido entregue a Nogueira em envelope com conteúdo preparado pela assessoria do Banco Master.
O relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal detalha uma possível relação de vantagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O documento, que teve o sigilo retirado pelo ministro relator André Mendonça, aponta um arranjo que iria além de uma simples amizade. A PF afirma que o senador utilizava uma propriedade do banker como se fosse dele próprio.
Conforme o material analisado, Vorcaro bancou viagens internacionais, hospedagens e voos privados para Nogueira, além de manter uma mesada de valores que variavam entre 300 mil e 500 mil reais, conforme mensagens entre o banqueiro e o operador financeiro da família Vorcaro. O total já identificado pela PF chega a 468.721,78 reais.
Os investigadores sustentam que Nogueira atuava como representante político dos interesses de Vorcaro em troca dos pagamentos, exercendo o mandato para favorecer o patrimônio do empresário. Entre as evidências, há referência a uma emenda parlamentar encaminhada a mando de Vorcaro, anotada em envelope endereçado ao senador, com conteúdo reproduzido da versão preparada pelo Banco Master.
Emenda Master
Segundo a PF, a emenda à PEC nº 65/2023 visava aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de 250 mil reais para 1 milhão por depositante. A prática ficou sob o rótulo conhecido como Emenda Master, e Ciro Nogueira negou ter apresentado o texto integralmente na forma recebida.
Em maio, o senador foi alvo de uma operação da Polícia Federal no âmbito da chamada Coordenação Compliance Zero. Nogueira afirmou ser vítima de um ataque injusto com fins políticos, alegando que o devido processo legal já comprovou sua inocência em situações anteriores. As circunstâncias atuais seguem sob apuração das autoridades competentes.
O Terra procurou a assessoria de imprensa de Ciro Nogueira, que não apresentou novo posicionamento sobre o caso até o fechamento desta edição. A PF segue avaliando o andamento das investigações e o valor total das despesas pode ser revisado conforme novas evidências sejam analisadas.
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