- O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, liderado interinamente por Keith Sonderling, enviou cartas a 53 estados e territórios exigindo ações contra desperdício, fraude e abuso no seguro-desemprego e ameaçando cortar recursos administrativos pela primeira vez na história.
- Não foram apresentados dados sobre fraude, mas foram citados três estados comandados por democratas — Califórnia, Nova York e Illinois — com alegações específicas.
- O governo afirma que a Califórnia deve cerca de 20 bilhões de dólares ao governo federal por empréstimo durante a pandemia, devido ao modelo atual de tributação para financiar o seguro-desemprego.
- Nova York seria responsável por perda estimada de 2 milhões de dólares por dia em fraude e pagamentos indevidos, enquanto Illinois teria pagamentos indevidos de 320 milhões de dólares, a uma taxa de 14%.
- Especialistas ressaltam que pagamentos indevidos nem sempre equivalem a fraude e criticam a abordagem do Departamento do Trabalho; Sonderling disse que cortaria os recursos administrativos dos estados para impedir fraude, sem apresentar dados.
Keith Sonderling, chefe interino do Departamento do Trabalho dos EUA, enviou cartas a 53 estados e territórios exigindo ações para «combater desperdício, fraude e abuso» no programa de seguro-desemprego, com a ameaça de suspender recursos administrativos pela primeira vez na história.
O órgão não apresentou dados de fraude ou fraude alegada, mas destacou três estados liderados por democratas — Califórnia, Nova York e Illinois — e apresentou alegações sobre cada um. Alega que a Califórnia deve ao governo federal cerca de US$ 20 bilhões em empréstimo obtido durante a pandemia.
Sonderling afirmou que Nova York sofre perdas estimadas de US$ 2 milhões por dia com fraude e pagamentos indevidos, sem distinguir entre as duas modalidades. Sobre Illinois, o departamento apontou pagamentos indevidos de US$ 320 milhões, representando 14% do total.
Contexto técnico
Fraudes reais e pagamentos indevidos não são sinônimos; os pagamentos indevidos costumam ocorrer por questões técnicas antigas dos sistemas, com taxa estimada de 14,9% em nível nacional, segundo a GAO. Estados também exibem variações relevantes de taxas.
Apesar das altas taxas de pagamentos indevidos em Nova York, Califórnia e Illinois, há relatos de que outras regiões, inclusive Estados republicanos, apresentam índices elevados. Dados de 2021 a 2024 indicam, por exemplo, que a Flórida registra taxa de 36,43%.
Michele Evermore, pesquisadora da National Academy of Social Insurance, disse que as ações do Departamento do Trabalho não resolvem sozinhas o problema, que envolve políticas públicas e cooperação interinstitucional. Ela ressaltou que o apoio técnico adequado é essencial para combater fraudes.
Sonderling participou de entrevista na Fox News na manhã de quarta-feira para discutir as cartas, repetindo a ameaça de cortar fundos administrativos caso os estados não atuem com eficácia no seguro-desemprego. A0lega que governadores democratas estariam entre os que apresentam maior índice de fraude, sem apresentar dados que comprovem a alegação.
Em maio de 2025, o Departamento enviou cartas pedindo a devolução de recursos não gastos do ARPA, medida criticada por especialistas por disruptar projetos de modernização de sistemas de seguro-desemprego durante esforços de combate a fraudes.
Estimativas federais sobre fraude durante a pandemia apontam, segundo a GAO, valores entre US$ 100 bilhões e US$ 135 milhões; o Departamento do Trabalho sustenta que esse intervalo foi superestimado.
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