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Origem das ligações de Jaques Wagner com o Master é investigada

Busca e apreensão apura ligações de Jaques Wagner com o Banco Master; investigação envolve repasses, imóvel de R$ 2,5 milhões e privatização da Ebal

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, e uma liderança indígena ao fundo durante reunião da CCJ em que foi aprovado o marco temporal. Foto: Edilson Rodrigues/Ag. Senado
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  • Investigações de busca e apreensão apontam ligações entre o senador Jaques Wagner e o Banco Master, com Augusto Lima como aliado de longa data de Daniel Vorcaro.
  • Augusto Lima, que comandava as associações Asteba e Asseba, foi preso preventivamente na primeira fase da operação Compliance Zero e usa tornozeleira eletrônica; nova fase ocorreu nesta quinta-feira.
  • A polícia encontrou US$ 49 mil na casa de Wagner e investiga o repasse de um imóvel de R$ 2,5 milhões de Lima para o senador.
  • Em 2018, Wagner, então secretário de Desenvolvimento da Bahia, participou de privatização envolvendo a Ebal, com Lima como grande favorecido, na venda da rede Cesta do Povo.
  • Lima detém 30% do Master via PKL One; os verdadeiros sócios permanecem ocultos por uma estrutura de fundos que termina em um smart fund no exterior.

O senador Jaques Wagner foi alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira por ligações com o Banco Master, em investigação ligada ao caso Compliance Zero. A operação envolve antigos vínculos de Wagner com o empresário baiano Augusto Lima, que integrou o grupo ligado a Vorcaro na entrada do Master.

Lima dirigia, antes de ser sócio de Daniel Vorcaro no Master, duas associações de servidores que atuavam com crédito consignado na Bahia, a Asteba e a Asseba. Ambos foram citados na primeira fase da operação, que apura fraude na venda de carteira de consignado do Master ao BRB. Lima chegou a ser preso preventivamente e hoje usa tornozeleira eletrônica; hoje também teve novas buscas autorizadas.

A polícia recolheu US$ 49 mil na casa de Wagner e investiga o repasse de um imóvel de 2,5 milhões de reais de Lima para o senador. Wagner, líder do governo no Senado, já foi secretário de Desenvolvimento da Bahia em 2018, período em que houve uma privatização controversa envolvendo Lima e a Ebal, rede de supermercados estatal que gerava prejuízo ao governo baiano.

Desdobramentos da privatização

A transação da Ebal ocorreu após redução do preço mínimo do leilão e publicação de um decreto que assumiu o passivo, possibilitando a venda a uma empresa chamada NGV, ligada a Ignácio Morales, investidor espanhol. A NGV foi a única a acessar o data room e apresentar proposta.

Dias após o leilão, Wagner assinou decreto que transformou o objeto sem valor aparente em um programa de benefícios para servidores, o Credicesta, permitindo uso em qualquer estabelecimento e crédito através de saque com consignação na folha. O mecanismo previa taxa de desconto de até 30% da folha por até 15 anos.

Relações e estruturas societárias

Lima aproximou-se de Vorcaro com a intermediação de Valério Marega, proprietário da gestora WNT, que também esteve sob foco de buscas. Marega trabalhava para levantar investidores para um fundo relacionado ao Credcesta, que viria a ganhar participação no Master. Lima passou a deter 30% do Banco Master por meio dessa relação.

Lima é proprietário da PKL One, empresa responsável pelo contrato com a NGV, garantindo exclusividade de 15 anos sobre 30% da margem da folha. Contudo, a rede que envolve os verdadeiros sócios da PKL One permanece sob estrutura de fundos criada por Daniel Monteiro, passando por fundos Diamond, Gardênia e MMPG, até um smart fund no exterior.

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