- A PF aponta que Jaques Wagner atuava como interlocutor frequente entre o Banco Master e o BRB durante as negociações de venda, que foi barrada pelo Banco Central.
- A decisão do ministro André Mendonça, do STF, autorizou buscas e apreensões contra Wagner e Augusto Lima; o magistrado afirmou que o senador era interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo investigado.
- Trechos da investigação mostram que Augusto Lima enviou a Wagner conteúdos sobre rating, estrutura acionária, Will Bank, Emenda Master, operação BRB/Master e CPI do Master.
- O grupo também identificou participação de pessoas do gabinete de Wagner em pautas ligadas ao Emenda Master da PEC 65/2023 e em questões do Credcesta.
- Há apontamentos de pagamentos de R$ 3,5 milhões a empresas ligadas ao entorno familiar de Wagner, relacionados a negociações entre Master, BN Financeira e o BRB.
A Polícia Federal indicou que Jaques Wagner atuou como interlocutor entre o Banco Master e o BRB durante a condução das negociações para a venda da instituição ao banco estadual. A investigação da nona fase da Operação Compliance Zero resultou em buscas autorizadas pelo STF nesta manhã, envolvendo o senador PT-BA e o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
Segundo a decisão do ministro André Mendonça, o STF, Wagner não seria apenas destinatário de informações, mas um interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico. O despacho aponta que Augusto Lima atuou como canal de comunicação com o senador sobre assuntos ligados ao Master, incluindo rating, estrutura acionária e a operação BRB/Master, que acabou barrada pelo Banco Central.
A PF verificou uma regularidade expressiva nas comunicações entre Wagner e o grupo envolvidos no Master, sugerindo atuação próxima aos interesses do banco baiano. Trechos do despacho citam a frequência das mensagens como indicativo de uma relação funcional, além de registrar uma conversa de março de 2025 que tratou de detalhes da negociação com o BRB.
Emenda Master e Credcesta
A investigação aponta que pessoas do gabinete do senador teriam participado de interlocuções sobre pautas consideradas relevantes para o Master. Registros indicam contatos envolvendo Daniel Vorcaro, Augusto Lima, o chefe de gabinete de Wagner e aliados em discussões da chamada Emenda Master, relacionada à PEC 65/2023 que ampliaria a cobertura do FGC.
Também há apontamentos sobre pagamentos a empresas ligadas ao entorno familiar de Wagner, associados ao atraso de repasses de R$ 3,5 milhões em um período próximo ao fracasso da operação entre Master e BRB. A PF analisa o cruzamento dessas informações com a atuação parlamentar do senador.
A investigação liga ainda o Credcesta, cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos da Bahia, a potenciais ações para ampliar limites de contratação. O objetivo seria expandir a atuação do Master no estado, com a participação de Wagner em pautas legislativas correlatas e em contato com a BN Financeira Ltda., empresa ligada ao núcleo familiar do parlamentar.
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