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BYD busca renovação de benefício e intensifica disputa com montadoras

BYD aumenta pressão para recriar benefícios a CKD/SKD e adiar tarifa cheia, ampliando atrito com montadoras e implicando investimentos bilionários

Trabalhadores montam carros na fábrica da BYD, em Camaçari, na Bahia
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  • A BYD intensificou a pressão sobre o governo para recriar benefícios de importação de kits CKD e SKD usados na montagem de carros elétricos.
  • A ofensiva envolveu reuniões com o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, o vice-presidente Geraldo Alckmin e representantes do MDIC, para defender os incentivos.
  • Anfavea e a indústria de autopeças alertam que manter ou ampliar os benefícios pode comprometer investimentos que somam cerca de R$ 140 bilhões até 2033.
  • O governo já definiu que carros elétricos importados pagarão tarifa integral de 35% a partir de julho, enquanto CKD e SKD chegarão à alíquota cheia em janeiro de 2027; houve ainda uma cota temporária zerada entre agosto de 2025 e janeiro de 2026.
  • Sindipeças e Anfavea defendem a manutenção do cronograma de recomposição das tarifas e se posicionam contra a recriação de cotas ou novos benefícios para CKD e SKD.

A BYD intensificou uma ofensiva junto ao governo federal para reverter o fim de benefícios tributários na importação de kits de montagem de veículos elétricos. A articulação busca manter regimes de CKD e SKD.

A investida ocorreu após mudanças no cronograma de tarifas aprovadas no ano passado. O objetivo é adiar o aumento da tributação sobre peças importadas usadas na montagem local, mantendo incentivos para manter preços competitivos.

Governadores, ministros e representantes da BYD se reuniram em duas ocasiões para discutir o tema. Em 20 de maio, o vice-presidente Geraldo Alckmin recebeu o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e executivos da BYD no Planalto.

Na segunda reunião, em 15 de junho, em São Paulo, o tema tratou da atuação da BYD no Brasil, com participação do ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, no BNDES. A pauta indica atuação conjunta entre governo e fabricante.

A defesa de manter benefícios para CKD e SKD esbarra na reação do setor automotivo brasileiro. Montadoras tradicionais e a indústria de autopeças alertam para risco de perdas bilionárias e de empregos.

Reação do setor

A Anfavea afirma que o setor já anunciou investimentos de cerca de R$ 140 bilhões até 2033 e que a produção local de elétricos já cresce rapidamente. A entidade teme distorções competitivas com a reabertura de cotas ou novos benefícios.

O Sindipeças enviou carta ao presidente Lula pedindo a manutenção do cronograma de recomposição das tarifas e rejeição a novas cotas para CKD e SKD. A entidade cita impactos na cadeia de componentes e empregos.

Segundo a Anfavea, a continuidade dos benefícios pode afetar o faturamento de peças, com estimativas de perdas superiores a R$ 96 bilhões em vendas. Também há projeção de impactos na arrecadação e no emprego indireto.

A BYD sustenta que manter os benefícios ajuda a evitar alta de preços de carros elétricos, facilitando a eletrificação do mercado brasileiro. A fabricante não respondeu até o fechamento desta edição.

A Bahia destaca a importância do investimento na antiga fábrica da Ford em Camaçari, hoje em transformação para produzir até 150 mil veículos por ano, com potencial de chegar a 600 mil unidades. O governo estadual vê o projeto como eixo da retomada automotiva regional.

O governo federal não confirmou oficialmente mudanças no cronograma de tarifas. A Camex avalia no Gecex a situação, que pode influenciar decisões sobre CKD e SKD. A data prevista para decisão é próxima ao debate no colegiado.

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