- Dinorah Figuera retornou a Caracas após 8 anos no exterior e iniciou conversas com o governo interino sobre uma transição política e reformulação das instituições eleitorais.
- A deputada se reuniu com o presidente da Assembleia Nacional controlada pelo chavismo, Jorge Rodríguez, em encontro apoiado pelos EUA; é a primeira aproximação pública entre governo e oposição em quase três anos.
- Figuera afirmou ter viajado a convite do Departamento de Estado e destacou a formação de um Conselho Nacional Eleitoral com credibilidade como prioridade.
- As partes formaram uma mesa técnica e política paritária para definir um plano de trabalho e um roteiro com etapas verificáveis, visando reconstrução institucional e fortalecimento dos órgãos eleitorais.
- O retorno de Figuera modificou a dinâmica das negociações da oposição, que anteriormente havia indicado María Corina Machado para liderar as conversas sobre eleições.
Dinorah Figuera, oposicionista que integra a Assembleia Nacional de 2015, retornou a Caracas após oito anos no exterior. Ela participou de conversas com o governo de Nicolás Maduro para discutir uma transição política e a reformulação das instituições eleitorais.
A deputada manteve encontro com Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional controlada pelo chavismo, em ações apoiadas pelos Estados Unidos. O encontro, o primeiro entre governo e oposição em quase três anos, ocorreu na última quinta-feira.
Figuera viajou a convite do Departamento de Estado dos EUA, segundo sua declaração ao chegar ao aeroporto. Um dos objetivos é a formação de um Conselho Nacional Eleitoral com credibilidade, segundo a deputada.
Avanços e participação institucional
As partes criaram uma mesa técnica e política paritária, com representantes do governo e de deputados de 2015 a 2020. O grupo irá definir um plano de trabalho e um roteiro com etapas verificáveis, sem mencionar interlocução com Maria Corina Machado.
O comunicado da Assembleia Nacional de 2015 lista prioridades como reconstrução institucional, fortalecimento eleitoral, garantia de partidos e liberdade de expressão. Figuera ressaltou que participou como representante institucional, não de um partido.
John Barrett, encarregado de negócios da Embaixada dos EUA, também participou das conversas. O Departamento de Estado classificou o encontro como o início de um processo para um roteiro de transição democrática, destacando a importância do diálogo inclusivo.
Contexto político
A volta de Figuera altera a dinâmica de negociação da oposição, já que a Plataforma Unitária havia apontado Maria Corina Machado como líder das conversas sobre eleições. A imprensa aponta que Washington e Caracas buscam abrir outra frente de negociação com uma interlocutora adicional.
Dirigentes de partidos como Vente Venezuela afirmaram desconhecer os termos, mas defenderam calendário eleitoral, renovação do CNE e legalização de partidos impedidos por decisões judiciais. A situação ocorre a pouco mais de cinco meses de eventiual mandato de Maduro.
Figuera, médica de 65 anos, havia deixado o país em 2018 após ameaças e perseguição, segundo a AFP. Ela obteve asilo na Espanha e passou a presidir a comissão delegada da Assembleia de 2015.
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