- Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, chefiava uma rede estruturada para fraudes no sistema financeiro e lavagem de dinheiro, com alcance até policiais, servidores do Banco Central e até membros da Interpol.
- A PF aponta divisão de tarefas entre núcleos: políticos, milícia/segurança, tecnologia e financeira, para defender interesses do esquema e ocultar as atividades ilícitas.
- Entre os políticos citados estão o senador Ciro Nogueira e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, que, segundo a PF, teriam recebido vantagens e atuado em defesa do Master no Congresso.
- O grupo incluía pagamentos mensais significativos a Ciro Nogueira, operações de empresas de fachada e envio de recursos para aliados, além de benefícios como viagens e apartamentos de luxo.
- Em relação à atividade criminosa, a PF descreve uso de SPEs (Sociedades de Propósito Específico) e notas frias para ocultar origens de recursos, bem como monitoramento de mídias, ataques cibernéticos e tentativas de censura.
Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, é apontado pela Polícia Federal como responsável por uma rede estruturada para fraudes no sistema financeiro e lavagem de dinheiro. O grupo operava com divisão de funções, envolvendo familiares, policiais, bicheiros, servidores do Banco Central e até integrantes da Interpol.
A investigação envolve atos de emissão de títulos de crédito falsificados, ameaça, corrupção e operações financeiras irregulares. O Ministério Público já autorizou a quebra de sigilo de parte das apurações, com o STF permitindo o acesso a novos dados.
Segundo a PF, Vorcaro cultivou influência política e midiática para defender interesses do esquema, articulando apoio de nominais do Congresso e recebendo vantagens ilícitas em troca. A rede foi descrita como hierarquizada e ampliada por meio de núcleos especializados.
Ligações e núcleos especializados
#### Influência entre políticos
Entre os citados, aparecem o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA). A PF aponta que ambos atuariam em defesa de interesses do Master, recebendo vantagens como viagens, apartamentos e mesadas. O relacionamento com Ciro teria ocorrido em encontros frequentes, inclusive em voos particulares.
Ao todo, a PF aponta transferências mensais superiores a R$ 300 mil destinadas ao senador, operadas por um primo de Vorcaro por meio de duas empresas de fachada. Wagner também é citado por supostas benesses e viagens com custo elevado.
#### Outros núcleos
A PF descreve a atuação de grupos dedicados a extorsões, ameaças e coleta de dados sigilosos, com acesso a sistemas governamentais. O grupo conhecido como “A Turma” incluía policiais federais que facilitavam essas ações.
Hacker e segurança constam como base para monitorar a Interpol e o FBI, segundo a PF. Em conversas, o líder do esquema falava em acionar um suposto “amigo da Interpol” para perseguir adversários, com planos de investir milhões.
#### Os Meninos e o núcleo econômico
O grupo tecnológico, chamado “Os Meninos”, realizava ataques cibernéticos a contas de redes e mensagens para silenciar críticos. Já o núcleo econômico era responsável pela parte financeira, incluindo o pagamento de dívidas e a organização de repasses.
O controle da mídia também aparece como elemento do esquema, com jornalistas pagos para propagar matérias alinhadas aos interesses de Vorcaro. Diversos casos citados indicam uso de podem de censura digital e pressão a jornalistas.
Movimentação financeira
A PF descreve um fluxo financeiro com uso de empresas de fachada e SPEs para ocultar a origem e o destino de recursos. As operações incluíam emissão de títulos sem lastro, notas frias e contratos simulados, além de transferências rápidas entre empresas do núcleo.
As apurações apontam ainda para o uso de notas fiscais frias e mecanismos de descarimbar capital. Em diversos casos, o grupo buscou manter o dinheiro circulando de forma pouco rastreável, com operações de recebimento e transferência em curto intervalo.
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